PARTE I: A EVOLUÇÃO              CÓSMICA SETE ESTÂNCIAS DO LIVRO SECRETO DE DZYAN (com comentários)

Não existia nada: nem o claro céu,

Nem ao alto a imensa abóbada celeste.

O que tudo encerrava, tudo abrigava,

E tudo encobria, que era? Era das águas

O abismo insondável? Não existia a morte,

Mas nada havia imortal.

E separação

Também não existia entre a noite e o dia.

Só o uno respirava em Si mesmo e sem ar:

Não existia nada, senão ele.

E ali

Reinavam as trevas, tudo se escondia

Na escuridão profunda: oceano sem luz.

O germe, que dormitava em seu casulo,

Desperta ao influxo do ardente calor E faz então brotar a

Natureza una.

Quem sabe o segredo? Quem o revelou?

De onde, de onde veio a criação multiforme?

Os Deuses só mais tarde à vida surgiram.

De onde esta criação imensa? Quem o sabe?

Por ação ou omissão de Sua Vontade?

O Sublime Vidente, no alto dos céus,

O segredo conhece... Talvez nem ele...

Profundando a eternidade... Inda mesmo antes

De lançados os alicerces do mundo,

Tu eras.

E quando o fogo subterrâneo

Romper sua prisão, destruindo a estrutura,

Oh! ainda serás Tu como eras antes.

Também quando o tempo já não existir

Nenhuma transformação conhecerás,

Mente infinita, divina Eternidade!

RIG VEDA

A EVOLUÇÃO CÓSMICA NAS SETE ESTÂNCIAS DO LIVRO                   DE DZYAN

ESTÂNCIA I

1. O Eterno Pai, envolto em suas Sempre Invisíveis Vestes, havia adormecido

uma vez mais durante Sete Eternidades.

2. O Tempo não existia, porque dormia no Seio Infinito da Duração.

3. A Mente Universal não existia, porque não havia Ah-hi para contê-la.

4. Os Sete Caminhos da Felicidade não existiam.

As Grandes Causas da

Desgraça não existiam, porque não havia ninguém que- as produzisse e fosse

por elas aprisionado.

5. Só as trevas enchiam o Todo Sem Limites, porque Pai, Mãe e Filho eram

novamente Um, e o Filho ainda não havia despertado para a Nova Roda e a

Peregrinação por ela.

6. Os Sete Senhores Sublimes e as Sete Verdades haviam cessado de ser; e o

Universo, filho da Necessidade, estava mergulhado em Paranishpanna, para

ser expirado por aquele que é e todavia não é. Nada existia.

7. As Causas da Existência haviam sido eliminadas; o Visível, que foi, e o

Invisível, que é, repousavam no Eterno Não-Ser — o Único Ser.

8. A Forma Una de Existência, sem limites, infinita, sem causa, permanecia

sozinha, em um Sono sem Sonhos; e a Vida pulsava inconsciente no Espaço

Universal, em toda a extensão daquela Onipresença que o Olho Aberto de

Dangma percebe.

9. Onde, porém, estava Dangma quando o Alaya do Universo se encontrava em

Paramârtha, e a Grande Roda era Anupâdaka?

ESTÂNCIA II

1. ...Onde estavam os Construtores, os Filhos Resplandecentes da Aurora do

Manvantara?...Nas Trevas Desconhecidas, em seu Ah-hi Paranishpanna.

Os

Produtores da Forma, tirada da Não-Forma, que é a Raiz do Mundo,

Devamâtri e Svabhâvat, repousavam na felicidade do Não-Ser.

2. ...Onde estava o Silêncio? Onde os ouvidos para percebê-lo? Não; não havia

Silêncio nem Som: nada, a não ser o Incessante Alento Eterno, para si

mesmo ignoto.

3. A Hora ainda não havia soado; o Raio ainda não havia brilhado dentro do

Germe; a Matripâdma ainda não entumecera.

4. Seu Coração ainda não se abrira para deixar penetrar o Raio Único e fazê-lo

cair em seguida, como Três em Quatro, no Regaço de Mâyâ.

5. Os Sete não haviam ainda nascido do Tecido de Luz.

O Pai-Mãe, Svabhâvat,

era só Trevas; e Svabhâvat jazia nas Trevas.

6. Estes Dois são o Germe, e o Germe é Uno.

O Universo ainda estava oculto

no Pensamento Divino e no Divino Seio.

ESTÂNCIA III

1. ...A última Vibração da Sétima Eternidade palpita através do Infinito.

A Mãe

entumece e se expande de dentro para fora, como o Botão de Lótus.

2. A Vibração se propaga, e suas velozes Asas tocam o Universo inteiro e o

Germe que mora nas Trevas; as Trevas que sopram sobre as adormecidas

Águas da Vida.

3. As Trevas irradiam a Luz, e a Luz emite um Raio solitário sobre as Águas e

dentro das Entranhas da Mãe.

O Raio atravessa o Ovo Virgem; faz o Ovo

Eterno estremecer, e desprende o Germe não Eterno, que se condensa no

Ovo do Mundo.

4. Os Três caem nos Quatro.

A Essência Radiante passa a ser Sete

interiormente e Sete exteriormente.

O Ovo Luminoso, que é Três em si

mesmo, coagula-se e espalha os seus Coágulos brancos como o leite por

toda a extensão das Profundezas da Mãe: a Raiz que cresce nos Abismos do

Oceano da Vida.

5. A Raiz permanece, a Luz permanece, os Coágulos permanecem; e, não

obstante, Oeaohoo é Uno.

6. A Raiz da Vida estava em cada Gota do Oceano da Imortalidade, e o Oceano

era Luz Radiante, que era Fogo, Calor e Movimento.

As Trevas se

desvaneceram, e não existiram mais: sumiram-se em sua própria Essência, o

Corpo de Fogo e Água, do Pai e da Mãe.

7. Vê, ó Lanu! o Radiante Filho dos Dois, a Glória refulgente e sem par: o

Espaço Luminoso, Filho do Negro Espaço,, que surge das Profundezas das

Grandes Águas Sombrias.

É Oeaohoo, o mais Jovem, o***. Ele brilha como o

Sol.

É o Resplandecente Dragão Divino da Sabedoria.

O Eka152 é Chatur, e

Chatur toma para si Tri, e a união produz Sapta, no qual estão os Sete, que

se tornam o Tridasha, as Hostes e as Multidões.

Contempla-o levantando o

Véu e desdobrando-o de Oriente a Ocidente.

Ele oculta o Acima, e deixa ver o

Abaixo como a Grande Ilusão.

Assinala os lugares para os Resplandecentes,

Eka = Um, Chatur = Quatro, Tri = Três, Sapta = Sete.

Tri x Dasha (dez) = Tridasha = três dezenas, ou uma hoste.

e converte o Acima num Oceano de Fogo sem praias, e o Uno Manifestado

nas Grandes Águas.

8. Onde estava o Germe, onde então se encontravam as Trevas? Onde está o

Espírito da Chama que arde em tua Lâmpada, ó Lanu? O Germe é Aquilo, e

Aquilo é a Luz, o Alvo e Refulgente Filho do Pai Obscuro e Oculto.

9. A Luz é a Chama Fria, e a Chama é o Fogo, e o Fogo produz o Calor, que dá

a Água — a Água da Vida na Grande Mãe.

10. O Pai-Mãe urde uma Tela, cujo extremo superior está unido ao Espírito, Luz

da Obscuridade Única, e o inferior à Matéria, sua Sombra.

A Tela é o

Universo, tecido com as Duas Substâncias combinadas em Uma, que é

Svabhâvat.

11. A Tela se distende quando o Sopro do Fogo a envolve; e se contrai quando

tocada pelo Sopro da Mãe.

Então os Filhos se separam, dispersando-se, para

voltar ao Seio de sua Mãe no fim do Grande Dia, tornando-se de novo uno

com ela.

Quando esfria, a Tela fica radiante.

Seus Filhos se dilatam e se

retraem dentro de Si mesmos e em seus Corações; elas abrangem o Infinito.

12. Então Svabhâvat envia Fohat para endurecer os Átomos.

Cada qual é uma

parte da Tela.

Refletindo o "Senhor Existente por Si Mesmo" como um

Espelho, cada um vem a ser, por sua vez, um Mundo.

ESTÂNCIA IV

1. ...Escutai, ó Filhos da Terra.

Escutai os vossos Instrutores, os Filhos do Fogo.

Sabei: não há nem primeiro nem último; porque tudo é Um Número que

procede do Não-Número.

2. Aprendei o que nós, que descendemos dos Sete Primeiros, nós, que

nascemos da Chama Primitiva, temos aprendido de nossos Pais...

3. Do Resplendor da Luz — o Raio das Trevas Eternas — surgem no Espaço as

Energias despertadas de novo; o Um do Ovo, o Seis e o Cinco.

Depois o

Três, o Um, o Quatro, o Um, o Cinco, o duplo Sete, a Soma Total.

E estas são

as Essências, as Chamas, os Construtores, os Números, os Arûpa, os Rûpa e

a Força ou o Homem Divino, a Soma Total.

E do Homem Divino, a Soma

Total.

E do Homem Divino emanaram as Formas, as Centelhas, os Animais

Sagrados e os Mensageiros dos Sagrados Pais dentro do Santo Quatro.

4. Este foi o Exército da Voz, a Divina Mãe dos Sete.

As Centelhas dos Sete são

os súditos e os servidores do Primeiro, do Segundo, do Terceiro, do Quarto,

do Quinto, do Sexto e do Sétimo dos Sete.

Estas Centelhas são chamadas

Esferas, Triângulos, Cubos, Linhas e Modeladores; porque deste modo se

conserva o Eterno Nidâna — o Oi-Ha-Hou.

5. O Oi-Ha-Hou — as Trevas, o Sem Limites, ou o Não-Número, Âdi-Nidâna,

Svabhâvat,       .

I. O Âdi-Sanat, o Número; porque ele é Um.

II. A Voz da Palavra, Svabhâvat, os Números; porque ele é Um e Nove.

III.

O "Quadrado sem Forma".

E estes Três, encerrados no       , são o Quatro Sagrado; e os Dez são o

Universo Arûpa. Depois vêm os Filhos, os Sete Combatentes, o Um, o Oitavo

excluído, e seu Sopro, que é o Artífice da Luz.

6. ...Em seguida, os Segundos Sete, que são os Lipika, produzidos pelos Três.

O Filho excluído é Um. Os "Filhos-Sóis" são inumeráveis.

ESTÂNCIA V

1. Os Sete Primordiais, os Sete Primeiros Sopros do Dragão de Sabedoria,

produzem por sua vez o Torvelinho de Fogo com os seus Sagrados Sopros

de Circulação giratória.

2. Dele fazem o Mensageiro de sua Vontade.

O Dzyu converte-se em Fohat; o

Filho veloz dos Filhos Divinos, cujos Filhos são os Lipika, leva mensagens

circulares.

Fohat é o Corcel, e o Pensamento, o Cavaleiro.

Ele passa como

um raio através de nuvens de fogo; dá Três, Cinco e Sete Passos através das

Sete Regiões Superiores e das Sete Inferiores.

Ergue a sua Voz para chamar

as Centelhas inumeráveis e as reúne.

3. Ele é o seu condutor, o espírito que as guia.

Ao iniciar a sua obra, separa as

Centelhas do Reino Inferior, que se agitam e vibram de alegria em suas

radiantes moradas, e com elas forma os Germes das Rodas.

Colocando-as

nas Seis Direções do Espaço, deixa uma no Centro: a Roda Central.

4. Fohat traça linhas espirais para unir a Sexta à Sétima — a Coroa.

Um

Exército dos Filhos da Luz situa-se em cada um dos ângulos; os Lipika ficam

na Roda Central.

Dizem eles: "Isto é bom." O primeiro Mundo Divino está

pronto; o Primeiro, o Segundo.

Então o "Divino Arûpa" se reflete no Chhâyâ

Loka, a Primeira Veste de Anupâdaka.

5. Fohat dá cinco passos, e constrói uma roda alada em cada um dos ângulos

do quadrado para os Quatro Santos... e seus Exércitos.

6. Os Lipika circunscrevem o Triângulo, o Primeiro Um, o Cubo, o Segundo Um

e o Pentágono dentro do Ovo.

É o Anel chamado "Não Pássaras", para os

que descem e sobem; para os que, durante o Kalpa, estão marchando para o

Grande Dia "Sê Conosco"... Assim foram formados os Arûpa e os Rûpa: da

Luz Única, Sete Luzes; de cada uma das Sete, sete vezes Sete Luzes.

As

Rodas velam pelo Anel...

ESTÂNCIA VI

1. Pelo poder da Mãe de Misericórdia e Conhecimento, Kwan-Yin — a Trina de

Kwan-Shai-Yin, que mora em Kwan-Yin-Tien — Fohat, o Sopro de sua

Progênie, o Filho dos Filhos, tendo feito sair das profundezas do Abismo

inferior a Forma Ilusória de Sien-Tchan e os Sete Elementos.

2. O Veloz e Radiante Um produz os Sete Centros Laya, contra os quais

ninguém prevalecerá até o Grande Dia "Sê Conosco"; e assenta o Universo

sobre estes Eternos Fundamentos, rodeando Sien-Tchan com os Germes

Elementais.

3. Dos Sete — primeiro Um manifestado, Seis ocultos, Dois manifestados, Cinco

ocultos; Três manifestados, Quatro ocultos; Quatro produzidos, Três ocultos;

Quatro e Um Tsan revelados, Dois e Meio ocultos; Seis para serem

manifestados, Um deixado à parte.

Por último, Sete Pequenas Rodas girando;

uma dando nascimento à outra.

4. Ele as constrói à semelhança das Rodas mais antigas, colocando-as nos

Centros Imperecíveis.

Como as constrói Fohat? Ele junta a Poeira de Fogo.

Forma Esferas de

Fogo, corre através delas e em seu derredor, insuflando-lhes a vida; e em seguida

as põe em movimento; umas nesta direção, outras naquela.

Elas estão frias, ele as

aquece.

Estão secas, ele as umedece.

Brilham, ele as ventila e refresca . Assim

procede Fohat, de um a outro Crepúsculo, durante Sete Eternidades.

5. Na Quarta, os Filhos recebem ordem de criar suas Imagens.

Um Terço

recusa-se Dois Terços obedecem.

A Maldição é proferida.

Nascerão na Quarta; sofrerão e causarão

sofrimento.

É a Primeira Guerra.

6. As Rodas mais antigas giravam para baixo e para cima...

Os frutos da Mãe enchiam o Todo.

Houve combates renhidos entre os

Criadores e os Destruidores, e Combates renhidos pelo Espaço; aparecendo e

reaparecendo a Semente continuamente.

7. Faze os teus cálculos, ó Lanu, se queres saber a idade exata da Pequena

Roda.

Seu Quarto Raio "é" nossa Mãe.

Alcança o Quarto Fruto da Quarta

Senda do Conhecimento que conduz ao Nirvana, e tu compreenderás, porque

verás...

ESTÂNCIA VII

1. Observa o começo da Vida informe senciente.

Primeiro, o Divino, o Um que procede do Espírito-Mãe; depois, o

Espiritual; os Três provindos do Um, os Quatro do Um, e os Cinco de que procedem

os Três, os Cinco e os Sete.

São os Triplos e os Quádruplos em sentido

descendente; os Filhos nascidos da Mente do Primeiro Senhor, os Sete Radiantes.

São eles o mesmo que tu, eu, ele, ó Lanu, os que velam sobre ti e tua mãe, Bhumi.

2. O Raio Único multiplica os Raios menores.

A Vida precede a Forma, e a Vida

sobrevive ao último átomo.

Através dos Raios inumeráveis, o Raio da Vida, o

Um, semelhante ao Fio que passa através de muitas contas.

3. Quando o Um se converte em Dois, aparece o Triplo, e os Três são Um; é o

nosso Fio, ó Lanu! o Coração do Homem-Planta, chamado Saptaparma.

4. É a Raiz que jamais perece; a Chama de Três Línguas e Quatro Mechas.

As

Mechas são as Centelhas que partem da Chama de Três Línguas projetada

pelos Sete — dos quais é a Chama — Raios de Luz e Centelhas de uma Lua

que se reflete nas Ondas moventes de todos os Rios da Terra.

5. A Centelha pende da Chama pelo mais tênue fio de Fohat.

Ela viaja através

dos Sete Mundos de Mâyâ.

Detém-se no Primeiro, e é um Metal e uma Pedra;

passa ao Segundo, e eis uma Planta; a Planta gira através de sete mutações,

e vem a ser um Animal Sagrado.

Dos atributos combinados de todos esses,

forma-se Manu, o Pensador.

Quem o forma? As Sete Vidas e a Vida Una.

Quem o completa? O Quíntuplo Lha.

E quem aperfeiçoa o último Corpo?        O

Peixe, o Pecado e Soma...

6. Desde o Primeiro Nascido, o Fio que une o Vigilante Silencioso à sua Sombra

torna-se mais e mais forte e radiante a cada Mutação.

A Luz do Sol da manhã

se transformou no esplendor do meio-dia...

7. "Eis a tua Roda atual" — diz a Chama à Centelha.

"Tu és eu mesma, minha

imagem e minha sombra.

Eu me revesti de ti, e tu és o Meu Vâham até o dia

'Sê Conosco', quando voltarás a ser eu mesma, e os outros tu mesma e eu."

Então os Construtores, metidos em sua primeira Vestimenta, descem à

radiante Terra, e reinam sobre os homens — que são eles mesmos...

(Assim termina o fragmento da narração arcaica, obscura, confusa, quase

incompreensível.

Tentaremos agora iluminar essas trevas, para extrair o significado

dos aparentes absurdos.)

COMENTÁRIOS --------------------------------------------------------------------------------------------------------------

AOS TEXTOS E EXPRESSÕES DAS SETE ESTÂNCIAS                       (segundo a numeração das Estâncias e dos Slokas)

ESTÂNCIA I

A Noite do Universo

1. O Eterno Pai153, envolto em suas Sempre Invisíveis Vestes, havia

adormecido uma vez mais durante Sete Eternidades.

O "Pai", o Espaço, é a Causa eterna, onipresente, a incompreensível

divindade, cujas "Invisíveis Vestes" são a Raiz mística de toda Matéria e do

Universo.

O Espaço é a única coisa eterna que somos capazes de imaginar

facilmente, imutável em sua abstração, e que não é influenciado nem pela presença

nem pela ausência de um Universo objetivo.

Não tem dimensões, seja em que

sentido for, e existe por si mesmo.

O Espírito é a primeira diferenciação de "Aquilo"

— a Causa sem Causa do Espírito e da Matéria.

Segundo o ensinamento do

Catecismo Esotérico, não é nem o "vazio sem limites" nem a "plenitude

condicionada", mas ambas as coisas simultaneamente.

Foi, é e sempre será.

Assim, as "Vestes" representam o númeno da Matéria Cósmica não

diferenciada.

Não a matéria tal como a conhecemos, mas a essência espiritual da

matéria; em seu sentido abstrato, coeterna e una com o Espaço.

A Natureza-Raiz é

também a fonte das propriedades sutis e invisíveis da matéria visível.

É, por assim

O Espaço

dizer, a Alma do Espírito Único e Infinito.

Os hindus a chamam Mûlaprakriti, e dizem

que é a Substância Primordial, que constitui a base do Upâdhi ou Veículo de todos

os fenômenos, sejam físicos, psíquicos ou mentais.

É a fonte de onde se irradia o

Âkâsha.

As "Sete eternidades" significam evos ou períodos.

A palavra Eternidade,

tal como a entende a Teologia cristã, não tem sentido para os asiáticos, exceto

quando aplicada à Existência Única.

O termo "sempiterno", que é o eterno somente

em relação ao futuro, não passa de uma expressão errônea154. Tais palavras não

existem nem podem existir na metafísica filosófica, e eram até desconhecidas

anteriormente ao cristianismo eclesiástico.

As Sete Eternidades significam os sete

períodos de um Manvantara, ou um espaço de tempo correspondente à sua

duração; e abrangem toda a extensão de um Mahâkalpa ou "Grande Idade" (

anos de Brahmâ), perfazendo um total de 311.040.000.000.000 anos.

Cada Ano de

Brahmâ se compõe de 360 Dias e de igual número de Noites de Brahmâ

(computando-se pelo Chandrâyama ou ano lunar); e um Dia de Brahmâ corresponde

a 4.320.000.000 anos comuns.

Estas Eternidades se relacionam com cálculos os

mais secretos, em que, para a obtenção do total exato, cada cifra deve ser 7x,

variando o expoente x conforme a natureza do ciclo no mundo subjetivo ou real; e

também todo número ou cifra que represente os diversos ciclos (do maior ao menor),

ou a eles se refira, no mundo objetivo ou ilusório, deve ser necessariamente múltiplo

de 7. Não é possível dar a chave dessas operações, porque ela envolve o mistério

dos cálculos esotéricos, e para fins de cálculos ordinários deixa de ter sentido.

"O

número 7", diz a Cabala, "é o grande número dos Mistérios Divinos". O número 10 é

Lê-se no Vishnu Purâna, livro II, c. VIII: "Entende-se por imortalidade a existência até o fim do Kalpa"; e Wilson, o tradutor, observa em uma nota: "Eis, segundo os Vedas, tudo o que se deve entender com respeito à imortalidade (ou eternidade) dos deuses; estes perecem ao consumar-se a dissolução universal (ou Pralaya)." E a Filosofia Esotérica diz: "Não perecem, mas são reabsorvidos."

o de todos os conhecimentos humanos (a Década pitagórica); 1.000 é a terceira

potência de 10; e, portanto, o número 7 é igualmente simbólico.

Na Doutrina

Secreta, o número 4 é o símbolo masculino apenas no plano mais elevado da

abstração; no plano da matéria, o 3 é o masculino e o 4 o feminino — a linha vertical

e a horizontal no quarto grau do simbolismo, em que os símbolos se convertem em

signos dos poderes geradores no plano físico.

2. O Tempo não existia, porque dormia no Seio infinito da Duração.

O "Tempo" não é mais que uma ilusão ocasionada pela sucessão dos

nossos estados de consciência, à medida que viajamos através da Duração Eterna;

e deixa de existir quando a consciência em que tal ilusão se produz já não exista;

então, ele "jaz adormecido". O Presente não é senão uma linha matemática que

separa aquela parte da Duração Eterna, que chamamos Futuro, daquela outra a que

damos o nome de Passado.

Nada há sobre a Terra que tenha uma duração real,

pois nada permanece sem mutação, ou no mesmo estado, durante um bilionésimo

de segundo que seja; e a sensação que temos da realidade desta divisão do Tempo,

conhecida como o Presente, advém da impressão momentânea ou das impressões

sucessivas que as coisas comunicam aos nossos sentidos, à medida que passam da

região do ideal, que denominamos Futuro, à região da memória, que chamamos

Passado.

Da mesma forma, uma centelha elétrica instantânea produz em nós uma

sensação de duração, por deixar em nossa retina uma impressão que continua.

As

pessoas e as coisas reais e efetivas não são unicamente o que se vê em um dado

momento, mas consistem na soma de todas as suas múltiplas e cambiantes

condições, desde o instante em que aparecem sob forma material até àquele em

que deixam de existir sobre a terra.

Estas "somas totais" estão eternamente no

Futuro, e passam gradualmente através da matéria para ficarem eternamente no

Passado.

Ninguém dirá que uma barra de metal que se arremessa ao mar começa a

existir a partir do momento em que deixa a atmosfera, e que cessa de existir quando

penetra na água; nem que tal objeto consiste tão somente em sua seção transversal

coincidente, em determinado momento, com o plano matemático que separa e une,

ao mesmo tempo, a atmosfera e o oceano.

Analogamente, é; o que sucede com as

pessoas e as coisas que, caindo do "será" no "foi", isto é, do Futuro no Passado,

apresentam ocasionalmente aos nossos sentidos como que uma seção transversal

do seu todo à medida que vão passando através do Tempo e do Espaço (como

Matéria) em seu caminho de uma eternidade para outra; e estas duas eternidades

constituem aquela Duração, na qual, e somente na qual, há algo que tem existência

real, que os nossos sentidos confirmariam, se estivessem aptos a conhecê-la.

3. A Mente Universal não existia, porque não havia Ah-hi para contê-la.

"Mente" é o nome dado à totalidade dos Estados de consciência-

compreendidos sob as denominações de Pensamento, Vontade e Sentimento.

Durante o sono profundo, cessa o trabalho de ideação no plano físico e a memória é

suspensa; em todo esse tempo, a "Mente não existe", uma vez que o órgão, por cujo

intermédio o Ego manifesta a ideação e a memória no plano físico, cessou

temporariamente de funcionar.

Um númeno não pode chegar a ser fenômeno em

qualquer plano de existência sem que se manifeste nesse plano por meio de uma

casa ou veículo apropriado; e durante a longa Noite de repouso chamada Pralaya,

quando todas as Existências são dissolvidas, a "Mente Universal" permanece como

uma possibilidade de ação mental, ou como aquele Pensamento abstrato e absoluto

do qual a Mente é a manifestação concreta e relativa.

Os Ah-hi (Dhyân Chohans)

são as Legiões de Seres espirituais — as Legiões Angélicas do Cristianismo, os

Elohim e os "Mensageiros" dos judeus — que constituem o Veículo para a

manifestação do Pensamento e da Vontade Divina ou Universal.

São as Forças

Inteligentes que elaboram as "Leis" da Natureza e as fazem executar, cumprindo,

por sua vez, e ao mesmo tempo, as leis que lhes são analogamente ditadas por

Poderes ainda mais elevados; mas não são "personificações" das Forças da

Natureza, como erroneamente se tem acreditado.

Esta Hierarquia de Seres espirituais, por cujo intermédio atua a Mente

Universal, assemelha-se a um exército — uma verdadeira legião — pelo qual se

manifesta o poder militar de uma nação, e que se compõe de corpos de tropa,

divisões, brigadas, regimentos etc., cada qual com sua individualidade ou vida

distinta, sua liberdade de ação e sua responsabilidade limitadas; estando cada

unidade contida em uma individualidade superior, à qual ficam subordinados seus

próprios interesses, e encerrando em si, ao mesmo passo, individualidades

inferiores.

4. Os Sete Caminhos da Felicidade155 não existiam (a). As Grandes Causas

da Desgraça156 não existiam, porque não havia ninguém que as

produzisse e fosse por elas aprisionado (b).

Nirvana, em chinês Noppang; Neibban em birmanês; Moksha na Índia    Nidâna e Mâyâ.

As "Doze" Nidânas (em tibetano Ten-brel Chug-nyi) são as causas principais da existência, efeitos gerados por um encadeamento.

(a) Há "Sete Caminhos" ou "Vias" que conduzem à "Felicidade" da Não-

Existência, que é o absoluto Ser, Existência e Consciência.

Não existiam, porque o

Universo até então se achava vazio, só existindo no Pensamento Divino.

(b) Porque são... as Doze Nidânas, ou Causas do Ser.

Cada uma é o

efeito da Causa antecedente, e, por seu turno, a causa da que lhe sucede; estando

a soma total das Nidânas baseada nas Quatro Verdades, doutrina especialmente

característica do Sistema Hînayâna157. Pertencem elas à teoria de que todas as

coisas seguem o curso da lei, a lei inevitável que produz o mérito e o demérito, e que

finalmente faz sentir a força do Carma em toda a sua plenitude.

É um sistema

fundado na grande verdade de que a reencarnação infunde temor, porque a

existência neste mundo só traz ao homem sofrimento, desgraça e dor; sendo a

própria morte incapaz de dar ao homem a sua libertação, porque a morte não é mais

que a porta pela qual ele passa de uma para outra vida na terra, após um breve

repouso no umbral, ou seja, no Devachan.

O Sistema Hînayâna, ou Escola do

Pequeno Veículo, data de tempos muito remotos, ao passo que o Mahâyâna, ou

Escola do Grande Veículo, pertence a um período mais recente e teve início após a

morte de Buddha.

Todavia, as doutrinas deste último sistema são tão antigas como

as montanhas que têm servido de locais para escolas semelhantes desde épocas

imemoriais; e na verdade as Escolas Hînayâna e Mahâyâna ensinam ambas a

mesma coisa.

Yâna, ou Veículo, é uma expressão mística, e os dois "Veículos"

significam que o homem pode escapar às tribulações dos renascimentos, e até à

ilusória felicidade do Devachan, por meio da obtenção da Sabedoria e do

Conhecimento, os únicos que podem dissipar os frutos da Ilusão e da Ignorância.

Nidâna e Mâyâ.

As "Doze" Nidânas (em tibetano Ten-brel Chug-nyi) são as causas principais da existência, efeitos gerados por um encadeamento.

Mâyâ, ou Ilusão, é um elemento que participa de todas as coisas finitas,

porque tudo quanto existe possui tão só um valor relativo, e não absoluto, tendo em

vista que a aparência assumida pelo númeno perante o observador depende do

poder de cognição deste último.

Aos olhos incultos do selvagem uma pintura se

apresenta como um aglomerado confuso e incompreensível de linhas e manchas

coloridas, ao passo que a vista educada descobre ali imediatamente uma figura ou

uma paisagem.

Nada é permanente, a não ser a Existência Una, absoluta e oculta,

que contém em si mesma os númenos de todas as realidades.

As existências

pertencentes a cada plano do ser, incluindo os Dhyan Chohâns mais elevados, são

comparáveis às sombras projetadas por uma lanterna mágica em uma superfície

branca.

No entanto, todas as coisas são relativamente reais, porque o conhecedor é

também um reflexo, e por isso as coisas conhecidas lhe parecem tão reais quanto

ele próprio.

Para conhecer a realidade das coisas há mister considerá-las antes ou

depois de haverem passado, qual um relâmpago, através do mundo material; pois,

não podemos discernir essa realidade diretamente, quando só dispomos de

instrumentos sensitivos que trazem à nossa consciência apenas os elementos do

mundo material.

Seja qual for o plano em que possa estar atuando a nossa

consciência, tanto nós como as coisas pertencentes ao mesmo plano somos as

únicas realidades do momento.

À medida, porém, que nos vamos elevando na

escala do desenvolvimento, percebemos que, nos estádios já percorridos, havíamos

tomado sombras como realidades, e que o progresso ascendente do Ego é um

contínuo e sucessivo despertar, cada passo à frente levando consigo a idéia de que

então alcançamos a "realidade". Mas só quando houvermos atingido a Consciência

absoluta, e com ela operarmos a fusão da nossa, é que viremos a libertar-nos das

ilusões de Mâyâ.

5. Só as Trevas enchiam o Todo Sem Limites (a), porque Pai, Mãe e

Filho eram novamente Um, e o Filho ainda não havia despertado para a nova

Roda158 e a Peregrinação por ela (b):

(a) As "Trevas são Pai-Mãe; a Luz é o seu Filho", diz antigo provérbio

oriental.

Não podemos conceber a luz senão considerando-a como proveniente de

alguma fonte que lhe seja a causa; e, como no caso da Luz Primordial essa fonte é

desconhecida — conquanto a reclamem a razão e a lógica — nós a chamamos

"Trevas", do ponto de vista intelectual.

Quanto à luz secundária ou reflexa, seja qual

seja a sua fonte, não pode ter senão um caráter temporário ou mayávico.

As Trevas

são, portanto, a Matriz Eterna, na qual as Origens da Luz aparecem e desaparecem.

Em nosso plano nada se acrescenta às trevas para convertê-las em luz, nem

tampouco à luz para transformá-la em trevas.

Elas são permutáveis, e

cientificamente a luz é tão-somente um modo das trevas, e vice-versa.

Contudo,

ambas são fenômenos do mesmo númeno, que são trevas absolutas para a mente

científica, mas não passam de um obscuro crepúsculo para os místicos em geral, se

bem que aos olhos espirituais do Iniciado seja luz absoluta.

O grau de luz que

podemos perceber no meio das trevas depende da nossa capacidade de visão.

O

que para nós é luz, são trevas para certos insetos; e o olho do clarividente vê

iluminação ali onde o olho normal só depara escuridão.

Quando todo o Universo

O termo "Roda" é a expressão simbólica para designar um mundo ou globo, o que demonstra que os antigos sabiam ser a nossa Terra um globo que gira, e não um quadrado imóvel como ensinaram alguns Padres cristãos.

A "Grande Roda" é a duração completa do nosso Ciclo de existência, ou Mahâkalpa, isto é, a revolução completa de nossa Cadeia especial de sete Globos ou Esferas desde o princípio até o fim.

As "Pequenas Rodas" significam as Rondas, também em número de sete.

jazia imerso no sono, isto é, quando havia regressado ao seu elemento primordial,

não existia ali nem centro de luminosidade nem olho para perceber a Luz; e as

trevas enchiam necessariamente o "Todo Sem Limites".

(b) O "Pai e a Mãe" são os princípios masculino e feminino na Natureza-

Raiz, os pólos opostos que se manifestam em todas as coisas, em cada plano do

Cosmos; ou o Espírito e a Substância, em um aspecto menos alegórico, e cuja

resultante é o Universo, ou o "Filho". Eles são "novamente Um", quando, na noite de

Brahmâ, durante o Pralaya, tudo no Universo objetivo retorna à sua causa única,

eterna e primária, para ressurgir na Aurora seguinte, como acontece periodicamente.

"Kârana" — a Causa Eterna — estava só. Para dizer mais claramente: Kârana

permanece só durante as Noites de Brahmâ.

O anterior Universo objetivo dissolveu-

se em sua Causa única, eterna e primária, e mantém-se como que em dissolução no

espaço, para diferenciar-se outra vez e cristalizar-se de novo na seguinte Aurora

Manvantárica, que será o começo de um novo Dia ou de uma nova atividade de

Brahmâ, símbolo de um Universo.

Em linguagem esotérica, Brahmâ é o Pai-Mãe-

Filho, ou Espírito, Alma e Corpo a um só tempo, sendo cada personagem o símbolo

de um atributo e cada atributo ou qualidade um eflúvio graduado do Sopro Divino em

suas diferenciações cíclicas, involutivas e evolutivas.

No sentido cósmico-físico, é o

Universo, a Cadeia Planetária e a Terra; no sentido puramente espiritual, é a

Divindade Ignota, o Espírito Planetário e o Homem (o Filho dos dois, produto do

Espírito e da Matéria; sua manifestação nos aparecimentos periódicos sobre a terra

durante as "Rodas" ou Manvantaras).

6. Os Sete Senhores Sublimes e as Sete Verdades haviam cessado

de ser (a); e o Universo, filho da Necessidade, estava mergulhado em

Paranishpanna (b)159, para ser expirado por aquele que é, e todavia não é. Nada

existia(c).

(a) Os "Sete Senhores Sublimes" são os Sete Espíritos Criadores, os

Dhyân Chohans, que correspondem aos Elohim hebreus.

É a mesma Hierarquia de

Arcanjos a que pertencem São Miguel, São Gabriel e outros, na teogonia cristã.

Mas, enquanto na teologia dogmática romana se atribui a São Miguel, por exemplo,

a guarda de todos os golfos e promontórios, no Sistema Esotérico os Dhyânis velam,

sucessivamente, sobre uma das Rondas e sobre as grandes Raças-Raízes de nossa

Cadeia Planetária.

Ensina-se, por outra parte, que eles enviam seus Bodhisattvas à

Terra, como representantes humanos dos Dhyâni-Buddhas, durante cada Ronda e

cada Raça.

Das "Sete Verdades" e Revelações, ou melhor, segredos revelados, só

quatro nos foram dadas a conhecer; pois estamos ainda na Quarta Ronda, e por

isso não teve o mundo, até agora, senão quatro Buddhas.

Trata-se, aliás, de

questão sobremodo complexa, da qual mais adiante nos ocuparemos com mais

amplitude.

Até hoje "existem somente Quatro Verdades e Quatro Vedas" — dizem os

Hindus e os Budistas.

Foi por uma razão semelhante que Irineu insistiu na

necessidade de Quatro Evangelhos.

Mas, como cada nova Raça-Raiz, no início de

uma Ronda, deve ter a sua revelação e os seus reveladores, a próxima Ronda trará

consigo a Quinta, a subseqüente a Sexta, e assim por diante.

A Perfeição Absoluta, Piranirvana, que é Yong-Grub.

(b) "Paranishpanna" é a perfeição absoluta que todas as existências

alcançam no fim de um grande período de atividade, ou Mahâmanvantara, e em que

permanecem durante o período seguinte de repouso.

Chama-se em tibetano "Yong-

Grub". Até os dias da escola Yogâchârya, a verdadeira natureza do Paranirvana era

ensinada publicamente; mas desde então passou a ser de todo esotérica, e daí o

existirem tantas interpretações contraditórias sobre este assunto.

Só um verdadeiro

idealista é capaz de compreendê-la. Para entender a significação daquele estado e

saber por que o Não-Eu, o Vazio e as Trevas são Três em Um, o que existe por si

mesmo e é perfeito, há que considerar tudo como ideal, à exceção do Paranirvana.

Este, porém, só é absoluto de um ponto de vista relativo, devendo dar lugar a uma

perfeição ainda mais absoluta e de um grau de excelência mais elevado, no

subseqüente período de atividade, tal como acontece — se tão material comparação

nos é permitida — com uma flor perfeita, que deve cessar de sê-lo e perecer, a fim

de converter-se em um fruto perfeito.

A Doutrina Secreta ensina o progressivo desenvolvimento de todas as

coisas, tanto dos mundos como dos átomos.

Não é possível conceber o princípio

desse maravilhoso desenvolvimento, nem tampouco imaginar-lhe o fim.

O nosso

"Universo" não passa de uma unidade em um número infinito de Universos, todos

eles "Filhos da Necessidade", elos da Grande Cadeia Cósmica de Universos, cada

qual em relação de efeito com o que o precedeu, e de causa com o que lhe sucede.

O aparecimento e o desaparecimento do Universo são descritos como

expiração e inspiração do Grande Sopro, que é eterno e que, sendo Movimento, é

um dos três aspectos do Absoluto; os outros dois são o Espaço Abstrato e a

Duração.

Quando o Grande Sopro expira, é chamado o Sopro Divino e considerado

como a respiração da Divindade Incognoscível — a Existência Una —, emitindo

esta, por assim dizer, um pensamento, que vem a ser o Cosmos.

De igual modo,

quando o Sopro Divino é inspirado, o Universo desaparece no seio da Grande Mãe,

que então dorme "envolta em suas Sempre Invisíveis Vestes".

(c) Por "aquele que é, e todavia não é", entende-se aquele Grande Sopro,

do qual só podemos dizer que é a Existência Absoluta, sem que nos seja dado

representá-lo em nossa imaginação como uma forma qualquer de Existência que

possamos distinguir da Não-Existência.

Os três períodos — Presente, Passado e Futuro — são, em filosofia

esotérica, um tempo composto; mas apenas em relação ao plano fenomenal, pois

que no reino dos números não têm validade abstrata.

Como dizem as Escrituras: "O

Tempo Passado é o Tempo Presente, e também o Futuro, o qual, não tendo ainda

vindo à existência, entretanto, é" segundo um preceito do Prasanga Madhyamika,

cujos dogmas se tornaram conhecidos após a sua separação das escolas

puramente esotéricas160.

Em resumo: nossas idéias quanto à duração do tempo são todas

derivadas de nossas sensações, de acordo com as leis de associação.

Enlaçadas

de modo inextricável com a relatividade do conhecimento humano, essas idéias não

podem, contudo, ter existência alguma fora da experiência do eu individual, e

perecem quando sua marcha evolutiva dissipa o Mâyâ da existência fenomenal.

Qual é, por exemplo, o Tempo, senão a sucessão panorâmica de nossos estados de

consciência? Eis aqui as palavras de um Mestre: "Sinto-me desnorteado quando

tenho de empregar estas três palavras — Passado, Presente e Futuro; pobres

conceitos das fases objetivas do subjetivo todo, e tão mal apropriadas ao seu objeto

Veja-se Dzungarian: Mani Kumbum, o "Livro dos 10.000 Preceitos". Consulte-se também Wassilief, Der Buddhismus, págs.

327 e 357 etc.

quanto uma acha à delicada arte do escultor." É um axioma filosófico: há que

alcançar Paramârtha para não se converter em fácil presa de Samvriti161.

7. As Causas da Existência haviam sido eliminadas (a); o Visível, que

foi, e o Invisível, que é, repousavam no Eterno Não-Ser — o Único Ser (b).

(a) "As Causas da Existência" significam não somente as causas físicas

conhecidas pela ciência, mas também as causas metafísicas, a principal das quais é

o desejo de existir, uma resultante de Nidâna e de Mâyâ.

Este desejo de uma vida

senciente manifesta-se por si mesmo em todas as coisas, desde o átomo ao sol, é

um reflexo do Pensamento Divino projetado na existência objetiva sob a forma de

uma lei que manda o Universo existir.

Segundo o ensinamento esotérico, a causa

real daquele suposto e de toda existência permanece sempre oculta, e suas

primeiras emanações representam as mais elevadas abstrações que a mente

humana pode conceber.

Temos que admitir tais abstrações como a causa deste

Universo material que se apresenta aos sentidos e à inteligência; e são elas

necessariamente o fundamento dos poderes secundários e subordinados à

Natureza, que têm sido antropomorfizados e adorados como "Deus" e como

"deuses" pelas multidões de todas as épocas.

Impossível é conceber seja lá o que for sem uma causa; tentar fazê-lo é

deixar a mente no vazio.

Esta é virtualmente a condição em que deve afinal

encontrar-se a mente, quando pretendemos acompanhar, de diante para trás, a

cadeia de causas e efeitos; mas tanto a Ciência como a Religião se lançam nesse

Para dizer com mais clareza: O homem deve adquirir a verdadeira Consciência de Si Mesmo para compreender Samvriti, ou a "origem da ilusão". Paramârtha é sinônimo do termo Svasamvedanâ, ou "a reflexão que se analisa a si mesma". Existe uma diferença na interpretação do significado de Paramârtha entre os Yogâchâryas e os Madhyamikas, mas nenhuma destas duas escolas explica o verdadeiro sentido esotérico da expressão.

vazio com demasiada precipitação, porque ignoram as abstrações metafísicas, e são

estas as únicas causas concebíveis das coisas concreta do mundo físico.

As

abstrações tornam-se cada vez mais concretas à medida que se aproximam do

nosso plano de existência, até que por fim se cristalizam em fenomenais, sob a

forma de Universo material, por um processo de conversão do metafísico em físico,

semelhante àquele que faz o vapor condensar-se em água e a água solidificar-se

em gelo.

(b) A idéia do "Eterno Não-Ser" que é o "Único Ser" aparece como um

paradoxo a quem quer que não se dê conta de que nós limitamos nossas idéias

sobre o Ser à nossa presente consciência da Existência, dando a este termo um

sentido específico, em vez de genérico.

Se uma criança ainda no seio materno

pudesse pensar, segundo a acepção que damos a esta palavra, limitaria

necessariamente e do mesmo modo o seu conceito do Ser à vida intra-uterina, a

única por ela conhecida; e se tratasse de exprimir em sua consciência a idéia da

vida depois do nascimento (para ela a morte), chegaria provavelmente — na falta de

base para o raciocínio e de faculdades para compreendê-la — a definir aquela vida

como o "Não-Ser que equivale ao Ser (ou Existência) Real". Em nosso caso, o Ser

Uno é o númeno de todos os númenos, que sabemos devem existir por trás de todos

os fenômenos, dando-lhes a sombra do quê de realidade que possuem; mas que

não podemos atualmente conhecer por nos faltarem os sentidos e a inteligência

indispensáveis à sua percepção.

Os átomos impalpáveis de ouro disseminados em

uma tonelada de quartzo-aurífero podem ser imperceptíveis à vista do mineiro; no

entanto, sabe o mineiro não só que ali se encontram, mas também que são eles

unicamente que conferem ao minério um valor apreciável; e esta relação entre o

ouro e o quartzo pode sugerir apenas uma fraquíssima idéia da que existe entre o

númeno e o fenômeno.

Com a diferença de que o mineiro sabe que aspecto terá o

ouro quando for extraído do quartzo; ao passo que o mortal comum não pode ter

noção da realidade das coisas fora do Mâyâ que as vela e oculta.

Só o Iniciado,

enriquecido pelo conhecimento adquirido através de inúmeras gerações de seus

predecessores, dirige o "Olho de Dangma", para a essência das coisas, em que

Mâyâ não pode ter nenhuma influência.

É neste ponto que os ensinamentos da

Filosofia Esotérica, em relação com os Nidânas e as Quatro Verdades, assumem

capital importância; são, porém, secretos.

8. A forma Una de Existência (a), sem limites, infinita, sem causa,

permanecia sozinha, em um Sono sem Sonhos (b); e a Vida pulsava

inconsciente no Espaço Universal, em toda a extensão daquela Onipresença

que o Olho aberto de Dangma percebe162.

(a) A tendência do pensamento moderno é voltar à antiga idéia de que as

coisas    aparentemente       mais     diversas    possuem       uma     base    homogênea        a

heterogeneidade emergindo da homogeneidade.

Os biologistas procuram neste

momento o protoplasma homogêneo, e os químicos o protilo, enquanto a Ciência

investiga a força da qual a eletricidade, o magnetismo, calor etc., são diferenciações.

A Doutrina Secreta leva esta idéia à região metafísica, com o postulado de uma

"Forma Única de Existência" como base e fonte de todas as coisas.

Mas é possível     Na índia é chamado o "Olho de Shiva"; mas para lá das grandes montanhas é conhecido, na fraseologia esotérica, como o "Olho Aberto de Dangma". Dangma quer dizer alma purificada, aquele que se tornou um Jivanmukta, o Adepto mais elevado, ou melhor, aquele a quem se dá o nome de Mâhâtma.

Seu "Olho Aberto" é olho espiritual e interno do vidente; e a faculdade que por ele se manifesta não é a clarividência como se entende geralmente, ou seja, o poder de ver à distância, mas antes a faculdade de intuição espiritual, por meio da qual se pode obter o conhecimento direto e exato.

Esta faculdade se acha intimamente relacionada com o "terceiro olho", que a tradição mitológica atribui a certas raças humanas.

que a expressão "Forma Única de Existência" não seja totalmente correta.

A palavra

sânscrita é Prabhavâpyava, "a região" (seria melhor dizer "o plano") "de onde tudo

sai e para onde tudo retorna", como diz um comentador.

Não é a "Mãe do Mundo",

conforme a tradução de Wilson163; porque Jagad Yoni, como demonstra Fitzedward

Hall, é mais propriamente a "Causa Material do Mundo" que a "Mãe do Mundo" ou a

"Matriz do Mundo". Os comentaristas purânicos a interpretam como Karâna,

"Causa"; mas a Filosofia Esotérica a considera o espírito ideal daquela Causa.

Em

seu estado secundário, é o Svabhâvat do filósofo budista, a Eterna Causa-e-Efeito,

onipresente e contudo abstrata, a Essência plástica existente por si mesma, e a Raiz

de todas as coisas, vista em seu duplo sentido, da mesma forma como o vedantino

considera o seu Parabrahman e Mûlaprakriti, o Uno sob dois aspectos.

Parece

realmente extraordinário ver grandes sábios especularem sobre a possibilidade de

que a Vedanta e sobretudo o Uttara-MÎmânsâ tenham sido "inspirados pelos

ensinamentos dos budistas", quando, ao contrário, o budismo, o ensinamento de

Gautama Buddha, é que foi "inspirado" e construído inteiramente sobre os princípios

da Doutrina Secreta, de que ora tentamos apresentar um epítome, ainda que

incompleto e nos quais também se apoiaram os Upanishads164. É uma verdade, que

Vishnu Purâna, I, 21.    E, não obstante, uma pretensa autoridade, Sir Monier Williams, professor catedrático de sânscrito em Oxford, acaba de negar precisamente este fato.

Eis o que ele ensinava ao seu auditório em 4 de junho de 1888, em seu discurso anual perante o Instituto Vitória da Grã-Bretanha: "Em sua origem, o Budismo mostrou-se infenso a todo ascetismo solitário... para alcançar as sublimes alturas do conhecimento.

Não possuía nenhum corpo de doutrina, fosse oculto ou esotérico... vedado às pessoas comuns" (!!). E mais: "Quando Gautama Buddha começou o seu ofício, a última e inferior forma de loga parece que era muito pouco conhecida." E logo, contradizendo-se, o ilustre conferencista diz aos seus ouvintes: "Sabemos pelo Lalita-Vestara, que diversas formas de tortura corporal, automacerações e austeridades eram comuns no tempo de Gautama" (!!). Mas o orador parece ignorar por completo que aquela espécie de tortura e maceração do próprio corpo é precisamente a forma inferior de loga, Hatha Yoga, sistema que, segundo suas palavras, era "pouco conhecido" e, no entanto, tão "comum" no tempo de Gautama.

não será lícito obscurecer, diante dos ensinamentos de Sri Shankarâchârya165.

(b) O "Sono sem Sonhos" é um dos sete estados de consciência

conhecidos no esoterismo oriental.

Em cada um destes estados entra em ação uma

parte distinta da mente; ou, como diria um vedantino, o indivíduo é consciente em

um plano diferente do seu ser.

As palavras "Sono sem Sonhos" são usadas para

exprimir uma condição algo semelhante àquele estado de consciência, no homem,

que, não dando lugar a nenhuma lembrança no estado de vigília, parece um vazio —

da mesma forma que o sono de uma pessoa magnetizada se lhe afigura um vazio

inconsciente quando ela retorna à sua condição normal, embora acabasse de falar e

conduzir-se durante aquele sono magnético como o faria um indivíduo consciente.

9. Onde, porém, estava Dangma quando o Alaya do Universo166 se

encontrava em Paramârtha (a)167, e a Grande Roda em Anupâdaka? (b)

(a) Depara-se-nos aqui a questão que constituiu, durante séculos, o fundo

das controvérsias escolásticas.

Os dois termos "Alaya" e "Paramârtha" foram causa

de múltiplas discussões nas escolas, e de que a verdade fosse subdividida em um

sem número de aspectos, e isto em escala jamais ocorrida quanto a outras palavras

místicas.

Alaya é a Alma do Mundo, Anima Mundi, a Superalma de Emerson, que,

segundo o ensinamento esotérico, muda periodicamente de natureza.

Alaya, apesar

de eterna e imutável em sua essência interna, nos planos fora do alcance dos

Pretende-se até que todos os Seis Darshanas (escolas de filosofia) apresentam traços da influência de Buddha e traços oriundos ora do Budismo, ora de ensina mentos gregos! (Veja-se: Weber, Max Muller etc.) Devemos lembrar, no entanto, que Colebrooke, "autoridade máxima" em tais assuntos, há muito tempo que resolveu a questão, demonstrando que "os hindus, neste caso, foram os rnestres e não os discípulos".     A Alma, como base do mundo, Anima Mundi.

O Ser Absoluto e a Consciência Absoluta, que são o Absoluto Não-Ser e a Absoluta Inconsciência.

homens ou mesmo dos deuses cósmicos (Dhyâni-Buddhas), altera-se durante o

período de vida ativa que diz respeito aos planos inferiores, inclusive o nosso.

Durante esse tempo, não só os Dhyâni Buddhas são unos com Alaya em Alma e

Essência, mas até o homem que realizou a Ioga (meditação mística) "é capaz de

fundir sua alma nela", como diz Aryâsanga, da escola Yogachârya.

Não é isto o

Nirvana, senão uma condição que dele se aproxima.

E aqui a divergência.

Enquanto

os Yogachâryias da escola Mahâyâna dizem que Alaya (Nyingpo e Tsang em

tibetano) é a personificação do Vazio e, não obstante, a base de todas as coisas

visíveis e invisíveis; e que, apesar de eterna e imutável em sua essência, Alaya se

reflete em cada objeto do Universo, "como a lua na água clara e tranqüila" — outras

escolas contestam essa proposição.

Sucede o mesmo em relação a Paramârtha.

Os

Yogachâryas interpretam este termo como aquilo que também depende de outras

coisas (paratantra); e os Madhyamikas dizem que Paramârtha está limitado a

Paranishpanna, ou a Perfeição Absoluta; vale dizer que, na exposição destas "Duas

Verdades" (entre as Quatro), os primeiros crêem e sustentam que, neste plano pelo

menos, só existe Samvritisatya, ou a verdade relativa; e os segundos ensinam a

existência de Paramârthasatya, a Verdade Absoluta168. "Nenhum Arhat, oh!

mendicantes, pode alcançar o conhecimento antes de identificar-se com

Paranirvana; Parikalpita e Paratantra são os seus dois grandes inimigos169".

Parikalpita (em tibetano Kuntag) é o erro em que incidem os que não percebem o

caráter vazio e ilusório de todas as coisas, e crêem na existência de algo que não

existe, por exemplo, o Não-Eu. E Paratantra é aquilo, seja o que for, que existe

"Paramârthasatya" é a consciência própria; Svasamvedanâ, ou o pensamento que se analisa a si mesmo; de duas palavras: parama, por cima de todas as coisas, e artha, compreensão; significando satya o ser verdadeiro e absoluto, ou esse.

Em tibetano, Paramârthasatya é Dondampaidenpa.

O oposto a esta realidade absoluta é Samvritisatya — a verdade relativa somente; pois Samvritisatya significa "falso conceito", e é a origem da ilusão, Mâyâ — em tibetano Kundzabchidenpa, "aparência que cria a ilusão".     Aphorisms of the Bôdhisattvas.

unicamente em virtude de uma relação causai ou de dependência, e que deve

desaparecer tão logo cesse a causa de que procede, como a chama de um pavio.

Suprima-se ou destrua-se o pavio, e a luz desaparece.

Ensina a Filosofia Esotérica que tudo vive e é consciente, mas não que

toda vida e toda consciência sejam semelhantes às dos seres humanos ou mesmo

dos animais.

Nós consideramos a vida como a única forma de existência

manifestando-se no que chamamos Matéria, ou naquilo que, no homem, chamamos

Espírito, Alma e Matéria (separando-os sem razão). A Matéria é o Veículo para a

manifestação da Alma neste plano de existência, e a Alma é o Veículo em um plano

mais elevado para a manifestação do Espírito; e os três formam uma Trindade

sintetizada pela Vida, que os interpenetra a todos.

A idéia da Vida Universal é um

daqueles antigos conceitos que estão retornando à mente humana neste século,

como conseqüência de sua libertação da teologia antropomórfica.

Verdade é que a

Ciência se contenta com traçar ou expor os sinais da Vida Universal, não ousando

ainda pronunciar ou sequer sussurrar a expressão Anima Mundi! A idéia da "vida

cristalina", que hoje é familiar à ciência, teria sido repudiada com desprezo meio

século atrás.

Os botânicos agora investigam os nervos das plantas; não porque

suponham que as plantas sejam capazes de sentir ou pensar como os animais, mas

por acreditarem que, para explicar o crescimento e a nutrição dos vegetais, é

necessária uma estrutura que guarde, na vida das plantas, uma relação funcional

idêntica à dos nervos na vida animal.

Parece quase impossível que a Ciência se

deixe enganar por muito mais tempo com o simples uso de palavras tais como

"força" e "energia", tardando em reconhecer que as coisas dotadas de movimento

são coisas vivas, quer se trate de átomos ou de planetas.

Mas ao leitor poderá ocorrer a pergunta: Qual é a crença das Escolas

Esotéricas sobre esse ponto? Quais as doutrinas ensinadas pelos "budistas"

esotéricos?

Para eles, Alaya tem uma dupla significação, e até mesmo tríplice.

No

sistema Yogachârya da escola contemplativa Mahâyâna, Alaya e, ao mesmo tempo,

a Alma Universal, Anima Mundi, e o Eu de um Adepto adiantado.

"Aquele a quem a

Ioga conferiu poderes é capaz de introduzir à vontade o seu Alaya, por meio da

meditação, na verdadeira natureza da Existência".

"Alaya possui uma existência eterna e absoluta" — diz Aryâsanga, o rival

de Nâgârjuna170. Em certo sentido, é Pradhâna, que o Vishnu Parâna define como "a

causa não evolucionada, a base original, na denominação enfática dos sábios, o

Prakriti sutil, ou seja, o eterno e o que ao mesmo tempo é (ou encerra em si) o que é

o que não é, ou é mera evolução171". "A causa contínua, que é uniforme, que é ao

mesmo tempo causa e efeito, chamada Pradhâna e Prakriti por aqueles que

conhecem os primeiros princípios, é o incognoscível Brahma, que era anterior a

tudo172"; quer dizer, Brahma não cria nem mesmo produz a evolução, mas

unicamente revela vários aspectos de si próprio, um dos quais é Prakriti, aspecto de

Pradhâna.

"Prakriti", no entanto, não é uma palavra adequada, e Alaya o explicaria

melhor, visto que Prakriti não é o "incognoscível Brahma". É um erro ensinar que a

Anima Mundi, a Vida Una ou Alma Universal, só foi dada a conhecer por

Anaxágoras, ou durante sua época; é um erro dos que ignoram a universalidade das

doutrinas ocultas desde o berço das raças humanas, e sobretudo por parte daqueles

Aryâsanga foi um Adepto anterior à era cristã e fundador de uma escola esotérica budista, embora Csoma de Koros o situe, por uma razão pessoal, no século VII depois de Cristo.

Existiu outro Aryâsanga, que viveu nos primeiros séculos de nossa era, e é bem provável que o sábio húngaro confundisse um com o outro.

Vishnu Purâna, I, pág.

20.     Vishnu Purâna, Wilson, I, 21; citado do Vayu Purâna.

sábios que repugnam até mesmo a idéia de uma "revelação primordial". O

ensinamento do filósofo citado teve simplesmente em vista combater os conceitos

demasiado materialistas de Demócrito sobre cosmogonia, que se baseavam na

teoria exotérica de átomos postos em movimento ao acaso ou cegamente.

Anaxágoras de Clazomene não foi o inventor daquela doutrina; ele apenas a

divulgou, como também o fez Platão.

O que Anaxágoras denominava Inteligência do

Mundo, o Nous (Νουζ), o princípio que, segundo as suas idéias, existe

absolutamente      separado      e   livre   da   matéria,    atuando      com    um     objetivo

preestabelecido, era chamado o Movimento, Vida Una ou Jîvâtmâ, na índia, desde

tempos muito anteriores ao ano 500 antes de Cristo.

Os filósofos arianos, porém, a

esse princípio, para eles infinito, jamais deram o "atributo de pensar", que é finito173.

Isto conduz naturalmente ao "Espírito Supremo" de Hegel e dos

transcendentalistas alemães, e apresenta um contraste que talvez seja útil assinalar.

As escolas de Schelling e de Fichte divergiram muito do conceito arcaico e primitivo

de um Princípio Absoluto, e não refletiram senão um (aspecto da idéia fundamental

do sistema Vedânta.

O "Absoluter Geist174", sugerido vagamente por Von Hartmann,

em sua filosofia pessimista do "Inconsciente", e que é talvez a maior aproximação

das doutrinas hindus "advaítas" a que pôde chegar a especulação européia, está,

ainda assim, muito longe da realidade.

Com isso queremos dizer Consciência Própria Finita.

Porque, como pode o Absoluto alcançá-la de outro modo, senão como um aspecto, o mais elevado dos que conhecemos — a consciência humana?     Espírito Absoluto.

Segundo Hegel, o "Inconsciente" jamais se daria à tarefa vasta e

complexa de fazer evolucionar o Universo, se o não movesse a esperança de

alcançar clara consciência de Si Mesmo.

Com relação a esse ponto, convém ter

presente que os panteístas europeus, quando se referem ao Espírito, termo que

empregam como equivalente de Parabrahman, e o chamam Inconsciente, não dão a

esta expressão o significado indireto que geralmente implica.

Usam-na porque não

dispõem de um termo mais apropriado para simbolizar um profundo mistério.

Eles nos dizem que a "Consciência Absoluta por trás dos fenômenos" só

é chamada inconsciência por carecer de todo elemento de personalidade; e que

transcende a concepção humana.

O homem, incapaz de formular um conceito que

não seja relacionado a fenômenos empíricos, sente-se impotente, em virtude mesmo

da constituição do seu ser, para levantar o véu que encobre a majestade do

Absoluto.

Só o Espírito liberto é capaz de perceber, vagamente ainda, a natureza de

sua própria origem, à qual deverá retornar com o passar dos tempos.

Se ao mais

elevado dos Dhyân Chohans não cabe senão curvar-se, humildemente, em sua

ignorância, diante do insondável mistério do Ser Absoluto; se até naquele ponto

culminante da existência consciente — "em que a consciência individual se funde na

consciência universal", para usar uma expressão de Fichte — não pode o Finito

conceber o Infinito, nem pode aplicar-lhe sua própria medida de experiências

mentais, como se poderá dizer que o Inconsciente e o Absoluto tenham sequer

algum impulso instintivo ou esperança de alcançar a clara consciência de si

mesmo175? O Vedantino jamais admitiria esta idéia hegeliana, e o Ocultista diria que

ela é perfeitamente aplicável ao Mahat desperto, ou seja, à Mente Universal, já

projetada no mundo fenomenal como aspecto primeiro do Imutável Absoluto, mas

Veja-se Handbook of the History of Philosophy de Schwegler, na tradução de Sterling, pág.

28.

nunca a este último.

"O Espírito e a Matéria, ou Purusha e Prakriti, são somente os

dois aspectos primordiais do Um sem Segundo" — tal é o ensinamento.

O "Nous", que faz mover a matéria, a Alma que a anima, imanente cm

todos os átomos, manifestada no homem, latente na pedra, tem graus diversos de

poder; e esta idéia panteísta de um Espírito-Alma geral, que penetra toda a

Natureza, é a mais antiga de todas as concepções filosóficas.

O Arqueu não foi uma

invenção de Paracelso nem de seu discípulo Van Helmont; pois que este mesmo

Arqueu é o "Pai-Éter" localizado, a base manifestada e a origem de todos os

fenômenos da vida.

A série completa as inumeráveis especulações, desta espécie

não passa de variações sobre o mesmo tema, cuja nota predominante foi dada com

aquela "revelação primitiva".

(b) A palavra "Anupâdaka", sem pais ou sem progenitores, é uma

designação mística que tem várias significações em nossa filosofia.

É o nome que

se costuma dar aos Seres Celestes como os Dhyân Chohans ou os Dhyâni

Buddhas.

Estes últimos correspondem misticamente aos Buddhas e Bodhisattvas

humanos, conhecidos por Mânushi (humanos) Buddhas e chamados mais tarde

Anupâdaka, quando operada a fusão de sua personalidade com os seus Princípios

Sexto e Sétimo combinados, ou Âtmâ-Buddhi, convertendo-se nas "Almas de

Diamante" (Vajrasattvas)176 ou Mahâtmâs completos.

O "Senhor Oculto" (Sang-bai

Dag-po), "o que está imerso no Absoluto", não pode ter pais, porque é existente por

Vajrapâni ou Vajradhara significa possuidor do diamante (Dorjesempa em tibetano, sempa significando a alma); e a qualidade adamantina refere-se à sua indestrutibilidade no futuro.

A explicação de "Anupâdaka" contida no Kâla Chakra — o primeiro na divisão Gyut do Kanjur — é semi-esotérica, e induziu os orientalistas a errôneas especulações quanto aos Dhyâni-Buddhas e seus correspondentes terrestres, os Mânushi-Buddhas.

A significação verdadeira vai indicada em volume subseqüente, e a seu tempo será explicada com maior amplitude.

Si Mesmo, e Uno com O Espírito Universal (Svayambhu)177, o Svabhâvat em seu

mais elevado aspecto.

Grande é o mistério da hierarquia dos Anupâdaka; o seu

vértice é o Espírito-Alma Universal e a sua base os Mânushi Buddhas; e cada

homem dotado de Alma é um Anupâdaka em estado latente.

Daí o emprego da

expressão: "a Grande Roda (o Universo) era Anupâdaka", quando se alude ao

Universo em seu estado sem forma, eterno e absoluto, antes de ser formado pelos

"Construtores".

ESTÂNCIA II

A Idéia de Diferenciação

1. ...Onde Estavam os Construtores, os Filhos Resplandecentes da

Aurora do Manvantara? (a). ...Nas Trevas Desconhecidas, em seu Ah-hi

Paranishpanna.

Os Produtores da Forma179, tirada da Não-Forma180, que é a

Raiz do Mundo, Devamâtri181 e Svabhâvat, repousavam na felicidade do Não-

Ser (b).

Citando de novo Hegel, que, como Schelling, aceitou praticamente o conceito panteísta dos Avatares periódicos (encarnações especiais do Espírito do Mundo no Homem, como sucede no caso de todos os grandes reformadores religiosos): "A essência do homem é o espírito... só descartando- se de seu modo de ser finito e abandonando-se voluntariamente à pura consciência de si mesmo é que pode alcançar a verdade.

O Homem-Cristo, como homem em quem se manifestou a Unidade de Deus-Homem (identidade da consciência individual com a universal, segundo o ensinamento dos Vedantinos e de alguns Advaítas), resumiu em si, com sua morte e sua vida histórica em geral, a eterna história do Espírito, história que todo homem tem que realizar em si mesmo, a fim de existir como Espírito" (Philosophy of History, tradução inglesa de Sibree, pág.

340).     Chohânico, Dhyâni-Búddhico.

Rûpa.     Arûpa.     "Mãe dos Deuses", Aditi ou Espaço cósmico.

No Zobar é chamada Sephira, a Mãe dos Sephiroth, e Shekinah em sua forma primordial in abscondito.

(a) Os "Construtores", os "Filhos da Aurora do Manvantara", são os

verdadeiros criadores do Universo; e nesta doutrina, que se ocupa somente de

nosso sistema planetário, eles, como arquitetos do mundo, são também chamados

os "Vigilantes" das Sete Esferas, as quais exotericamente vêm a ser os Sete

Planetas, e esotericamente as sete esferas ou Globos de nossa Cadeia.

A frase que

menciona as Sete Eternidades, no início da Estância I, refere-se tanto ao

Mahâkalpa, ou "Grande Idade de Brahmâ", como ao Pralaya Solar e à ressurreição

subseqüente de nosso Sistema Planetário num plano mais elevado.

Há diversas

espécies de Pralaya (dissolução de uma coisa visível), conforme adiante

mostraremos.

(b) Importa lembrar que Paranishpanna é o summum bonum, o Absoluto,

o mesmo que Paranirvana.

Além de ser o estado final, é aquela condição de

subjetividade   relacionada   exclusivamente   com   a   Verdade   Una    Absoluta

(Paramârthasatya), em seu próprio plano.

É o estado que conduz à verdadeira

apreciação do significado pleno do Não-Ser, que é, como já explicamos, o Absoluto

Ser.

Mais cedo ou mais tarde, tudo quanto agora parece existir existirá real e

verdadeiramente no estado de Paranishpanna.

Mas há uma grande diferença entre

o Ser consciente e o Ser inconsciente.

A condição de Paranishpanna sem

Paramârtha, a consciência que se analisa a si mesmo (Svasam-vedâna), não é a

bem-aventurança, mas simplesmente a extinção durante Sete Eternidades.

Uma

bola de ferro, por exemplo, se esquenta quando exposta aos raios ardentes do Sol,

mas não sente nem percebe o calor, como sucede com o homem.

Só "com uma inteligência clara, não obscurecida pela personalidade, e

com a assimilação do mérito de múltiplas existências consagradas ao Ser em sua

coletividade (todo o Universo vivente e senciente)" é que poderemos libertar-nos da

existência pessoal e realizar a união com aquele Absoluto, identificando-nos com

ele182 e continuando em plena posse de Paramârtha.

2. ...Onde estava o Silêncio? Onde os ouvidos para percebê-lo? Não;

não havia Silêncio nem Som (a): nada, a não ser o Incessante Alento Eterno183,

para si mesmo ignoto (b).

(a) A idéia de que as coisas podem cessar de existir, sem cessar de ser, é

fundamental na psicologia do Oriente.

Sob esta aparente contradição de termos, há

um fato da Natureza; e é mais importante compreendê-lo que discutir as palavras.

Um exemplo trivial de paradoxo semelhante pode ser encontrado em uma

combinação química.

Ainda está em aberto a questão sobre se o hidrogênio e o

oxigênio deixam de existir quando se combinam para formar a água: dizem uns que,

se eles reaparecem quando se decompõe a água, é porque aí permaneceram

durante todo o tempo; outros sustentam que, tendo-se convertido em algo

completamente diferente, aqueles elementos deixaram de existir como tais durante a

combinação; uns e outros, porém, se mostram de todo incapazes de conceituar a

condição verdadeira de uma coisa que se transformou em outra sem contudo deixar

de ser a mesma.

Em relação ao oxigênio e ao hidrogênio, pode-se dizer que a

Portanto, Não-Ser é "Absoluto Ser", na filosofia esotérica.

Segundo os princípios desta, até Âdi- Buddha (Sabedoria primeira ou primitiva) é, em certo sentido, Ilusão ou Mâyâ, enquanto manifestada, visto que todos os Deuses, Brahmâ inclusive, têm que morrer no fim da Idade de Brahmâ; a abstração Parabrahman — chamem-na Ain-Soph ou, como Herbert Spencer, o Incognoscível — é a única Realidade, a Realidade Una e Absoluta.

A Existência Una e sem segundo é Advaíta ("Que não tem Sentindo"), e tudo o mais é Mâyâ, conforme a filosofia advaíta.

Movimento.

existência como água é um estado de Não-Ser, o qual é um ser mais real do que a

existência como gases.

Este é apenas um símbolo imperfeito da condição do

Universo quando adormece ou cessa de ser, durante as Noites de Brahmâ, para

despertar e ressurgir quando a Aurora do novo Manvantara o chamar, uma vez

mais, para o que nomeamos existência.

(b) O "Alento" da Existência Una é expressão adotada pelo esoterismo

arcaico só no que respeita ao aspecto espiritual da Cosmogonia; em outros casos, é

substituída pelo seu equivalente no plano material — o Movimento.

O Elemento

Eterno é Único, ou Veículo que contém os elementos, é o Espaço sem dimensões

em qualquer sentido; coexistente com a Duração Sem Fim, com a Matéria Primordial

(e portanto indestrutível) e com o Movimento, o "Movimento Perpétuo", Absoluto,

que é o "Alento" do Elemento Uno.

Este Alento, como se vê, não pode cessar

jamais, nem mesmo durante as Eternidades Pralaicas.

Mas o Alento da Existência Única não se aplica do mesmo modo à Causa

Una sem Causa, ou Oni-Asseidade, em oposição ao Todo-Ser, que é Brahmâ ou o

Universo.

Brahmâ, o deus de quatro faces, que, depois de haver levantado a Terra

do seio das águas, "levou a efeito a Criação", é considerado somente como a Causa

Instrumental, e não, conforme claramente se percebe, a sua Causa Ideal.

Nenhum

orientalista parece haver compreendido, até agora, o verdadeiro sentido dos

versículos que, nos Purânas, se referem à "criação".

Ali, Brahmâ é a causa das potências que devem ser geradas

subseqüentemente para a obra da "Criação". Por exemplo, no Vishnu Purâna184,

quando se traduz: "E de Ele procedem as potências que devem ser criadas, depois

Wilson, I, IV.

que se tornarem a causa real", seria talvez mais correta esta tradução: "E de Ele

procedem as potências que hão de criar, ao se converterem na causa real (no plano

material)." A nenhuma outra que não aquela Causa Ideal Única (Sem Causa), pode

atribuir-se o Universo.

"É em virtude de sua potência (isto é, em virtude da potência

daquela causa), ó Asceta, o mais digno dos Ascetas, que cada uma das coisas

criadas surge por sua própria e inerente natureza." Se, "na Vedanta e na Nyâyâ,

nimitta é a causa eficiente em contraposição a apadhâna, a causa material, (e) na

Sânkhya pradhâna abrange ambas as funções", — na filosofia esotérica, que

concilia todos esses sistemas e cuja explicação mais aproximada é a Vedanta, tal

como a expõem os Vedantinos advaítas, não se pode especular senão quanto ao

upâdhâna.

O que para os vaishnavas (os Visishthadvaítas) é como o real em

oposição ao ideal — ou Parabrahman e Ishvara — não pode ter lugar em nenhuma

das especulações publicadas, visto que ainda esse ideal não passa de uma

expressão errônea, quando se aplica ao que nenhuma razão humana, nem sequer a

de um Adepto, é capaz de conceber.

O autoconhecimento exige que sejam reconhecidas a consciência e a

percepção — e ambas estas faculdades são limitadas em relação a todo e qualquer

sujeito, exceto quanto ao Parabrahman.

Daí o aludir-se ao "Alento Eterno que não

conhece a si mesmo". O Infinito não pode compreender o finito.

O Ilimitado não pode

ter relação com o limitado e o condicionado.

Na doutrina oculta, o motor Ignoto e

Incognoscível, ou o Existente por Si Mesmo, é a Essência Absoluta e Divina.

E

assim, sendo Consciência Absoluta e Absoluto Movimento — para os sentidos

limitados dos que tentam descrever o que é indescritível —, é inconsciência e

imutabilidade.

A consciência concreta não pode ser atribuída à consciência abstrata,

mais do que se pode atribuir à água a qualidade de molhar — sendo a umidade seu

próprio atributo e a causa da qualidade úmida em outras coisas.

Consciência implica

limitações e qualificações: algo de que ser consciente, e alguém para ser consciente.

Mas a Consciência Absoluta contém o conhecedor, a coisa conhecida e o

conhecimento; os três nela coexistem e formam um todo uno.

Ninguém é consciente

senão daquela parte do conhecimento que possa, em qualquer momento dado,

evocar na mente; tal é, porém, a pobreza da linguagem humana que não dispomos

de termos para distinguir o conhecimento em que não pensamos ativamente do

conhecimento que não podemos reter na memória.

Esquecer é sinônimo de não

recordar.

Quanto mais difícil será, então, encontrar palavras para descrever os fatos

metafísicos e abstratos, e distinguir-lhes as diferenças! Deve-se ainda ter presente

que nós definimos as coisas segundo as suas aparências.

À Consciência Absoluta

chamamos          "Inconsciência",      porque     assim   nos   parece   que   deva   ser

necessariamente, do mesmo modo que denominamos "Trevas" ao Absoluto, porque

este parece de todo impenetrável à nossa compreensão finita.

Mas não deixamos de

plenamente reconhecer que a nossa percepção dessas coisas não se ajusta a elas.

Involuntariamente distinguimos, por exemplo, entre a Consciência Absoluta

inconsciente e a Inconsciência, atribuindo à primeira, em nosso foro íntimo, uma

qualidade indefinida que corresponde, num plano superior ao que pode a nossa

mente conceber, àquilo que conhecemos como consciência em nós mesmos.

Mas

não será nenhuma espécie de consciência que possamos distinguir do que a nós se

apresenta como inconsciência.

3. A Hora ainda não havia soado; o Raio ainda não havia brilhado

dentro do Germe (a); a Mâtripadma185 ainda não intumescera (b)

A Mãe-Lótus.

Expressão não poética, porém muito expressiva.

(a) O "Raio" das "Trevas Eternas", ao ser emitido, converte-se em um

Raio de Luz resplandecente ou de Vida, e penetra dentro do "Germe" — o Ponto no

Ovo do Mundo, representado pela matéria em seu sentido abstrato.

Não se deve,

porém, entender a expressão "Ponto" como aplicável a um ponto particular do

Espaço, porque existe um germe no centro de cada um dos átomos, e estes

coletivamente constituem o "Germe"; ou melhor, como nenhum átomo pode se

tornar visível aos nossos olhos físicos, a coletividade deles (se é possível empregar

o termo em relação a algo que é ilimitado e infinito) representa o Númeno da Matéria

eterna e indestrutível.

(b) Uma das figuras simbólicas do poder Dual e Criador na Natureza

(matéria e força no plano material) é "Padma", o nenúfar da índia.

O Lótus é o

produto do calor (fogo) e da água (vapor ou éter); representando o fogo, em todos os

sistemas filosóficos e religiosos, inclusive no Cristianismo, o Espírito da Divindade187,

o princípio ativo masculino e gerador, e o éter, ou Alma da matéria, a luz do fogo,

simbolizando o princípio feminino e passivo, do qual emanaram todas as coisas

deste Universo.

O éter ou a água é, portanto, a Mãe, e o fogo é o Pai.

Sir William

Jones (e antes dele a botânica antiga) demonstrou que a semente do lótus contém,

mesmo antes de germinar, folhas perfeitamente formadas, verdadeira miniatura da

planta em que se vai algum dia transformar; oferecendo-nos a Natureza, deste

modo, um exemplo de formação prévia dos seus produtos...; pois as sementes de

todas as fanerógamas que têm flores propriamente ditas encerram uma pequena

planta embrionária pré-formada188. Explica-se assim a frase: "A Mâtripadma ainda

Veja-se o Vol.

II, Parte II, Seção III, "A Substância Primordial e Pensamento Divino".       Gross: The Heathen Religion, pág.

195.

não intumescera", sendo que geralmente a forma é sacrificada à idéia-máter ou

interior, na simbologia arcaica.

O Lótus ou Padma é, aliás, um símbolo antiqüíssimo e favorito do

Cosmos e também do homem.

Eis as razões populares que justificam sua adoção:

em primeiro lugar, precisamente o fato que vimos de mencionar, o de conter a

semente do Lótus dentro de si a miniatura perfeita da futura planta, o que simboliza

a existência dos protótipos espirituais de todas as coisas no mundo imaterial, antes

de se materializarem na Terra; em segundo lugar, a outra circunstância de que o

Lótus cresce através da água, com suas raízes no Ilus ou no lodo, para abrir suas

flores no ar. O Lótus é assim a imagem da vida do homem e também da do Cosmos,

pois a Doutrina Secreta ensina que são idênticos os elementos de ambos e que um

e outro se desenvolvem no mesmo sentido.

A raiz do Lótus mergulhada no lodo

representa a vida material; o talo, que se lança para cima e atravessa a água,

simboliza a existência no mundo astral; e a flor, que flutua na água e se abre para o

céu, é o emblema da vida espiritual.

4. Seu coração ainda não se abrira para deixar penetrar o Raio Único

e fazê-lo cair em seguida, como Três em Quatro, no Regaço da Mãe.

A Substância Primordial ainda não saída do seu estado latente pré--

cósmico para a objetividade, diferenciada, nem sequer para se converter no Prótilo

invisível (aos olhos do homem pelo menos). Mas, uma vez "soada a hora" e

fazendo-se receptora da impressão Fohática do Pensamento Divino (o Logos, ou

aspecto masculino da Anima Mundi, Alaya), o seu "Coração" se abre.

Diferencia-se,

e os Três (Pai, Mãe e Filho) passam a ser Quatro.

Eis aqui a origem do duplo

mistério da Trindade e da Imaculada Conceição.

O dogma primeiro e fundamental do

Ocultismo é a Unidade Universal (ou Homogeneidade) sob três aspectos.

O que

conduz a uma concepção possível da Divindade, que, como Unidade absoluta, deve

permanecer sempre incompreensível para as inteligências finitas.

"Se queres crer no Poder que atua na raiz de uma

planta, ou imaginar a raiz que ela oculta no solo, tens que

pensar em seu caule ou tronco, em suas folhas e flores.

Não

podes imaginar aquele Poder independentemente destas

coisas.

A Vida não pode ser conhecida senão pela Árvore da

Vida189..."

A idéia da Unidade Absoluta ficaria por completo anulada em nossa

concepção se não dispuséssemos de algo concreto para conter essa Unidade.

Sendo absoluta, a Divindade é necessariamente onipresente; e portanto não existe

átomo que não A contenha em si. A raiz, o tronco e os inúmeros ramos são três

coisas distintas, e no entanto constituem uma árvore.

Dizem os cabalistas: "A

Divindade é Una, porque é Infinita.

É Tríplice, porque sempre está se manifestando."

Esta manifestação é trina em seus aspectos, pois, como diz Aristóteles, são

necessários três princípios para todo corpo natural se torne objetivo: privação, forma

e matéria190. Privação significava, na mente do grande filósofo, o que os ocultistas

denominam protótipos impressos na Luz Astral, o último dos mundos e planos     Precepts of Yoga     Um vedantino da filosofia Visishthadvaíta diria que, apesar de ser a única Realidade independente, Parabrahman é inseparável de sua trindade.

Que Ele é três: "Parabrahman, Chit e Achit", sendo os dois últimos Realidades dependentes e incapazes de existir separadamente; ou, falando com maior clareza, que Parabrahman é a Substância — imutável, eterna e incognoscível — e Chit (Âtmâ) e Achit (Anâtmâ) são suas qualidades, como a forma e a cor são as qualidades de qualquer objeto.

Os dois últimos são a vestimenta do corpo, ou melhor, aspectos de Parabrahman, (isto é, sharira). Um ocultista teria, porém, muito que dizer sobre isso; e os vedantinos advaítas igualmente.

inferiores da Anima Mundi.

A união daqueles três princípios depende de um quarto:

a Vida que se irradia dos cumes do Inatingível, para converter-se em uma Essência

universalmente difundida nos planos manifestados da Existência.

E esse

Quaternário (Pai, Mãe, Filho, como Unidade, e Quaternário como manifestação viva)

foi o fundamento que deu lugar à antiqüíssima idéia da Imaculada Conceição,

cristalizada agora em um dogma da Igreja Cristã, que assim materializou e fez

encarnar este símbolo metafísico, aberrando de todo senso comum.

Porque basta

ler a Cabala e estudar os seus métodos numéricos de interpretação para encontrar a

origem daquele dogma.

É puramente astronômico, matemático e, sobretudo,

metafísico: o Elemento Masculino da Natureza (personificado pelas divindades

masculinas e pelos Logos — Virâj ou Brahmâ, Hórus ou Osíris etc., etc.) — nasce

através de (e não de) uma fonte imaculada, personificada na "Mãe", pois aquele

Varão, tendo "Mãe", não pode ter "Pai", uma vez que a Divindade Abstrata carece de

sexo, por não ser propriamente um Ser, mas Asseidade ou Vida por Si Mesma.

Expressemos isto na linguagem matemática do autor de The Source of Measures.

Falando da "Medida de um Homem" e de seu valor numérico (cabalístico), escreve

ele que no capítulo IV do Gênesis.

"É chamada a Medida do 'Homem igual a

Jehovah', obtendo-se da seguinte maneira: 113 X 5 = 565; e o

valor de 565 pode ser enunciado sob a forma de 56,5 X 10.

Aqui o número do Homem, 113, se converte em um fator de

56,5 X 10, e a leitura (cabalística) desta última expressão é

Jod, He, Vau, He, ou Jehovah... O desdobramento de 565 em

56,5 X 10 tem por fim demonstrar como o princípio masculino

(Jod) emanou do feminino (Eva); ou, por assim dizer, como o

elemento masculino nasceu de uma fonte imaculada.

Em

outras palavras: uma imaculada conceição."

Deste modo temos a repetição, na Terra, daquele mistério que, segundo

os videntes, se realizou no plano divino.

O Filho da Virgem Celeste Imaculada (ou o

Prótilo Cósmico não diferenciado, a Matéria em sua infinidade) nasce de novo na

terra como Filho da Eva terrestre (nossa mãe a Terra) e se torna a Humanidade

como um todo — passado, presente e futuro —; porque Jehovah, ou Jod-He-Vau-

He, é andrógino, ou macho e fêmea ao mesmo tempo.

Em cima, o Filho é todo o

Cosmos; embaixo, a Humanidade.

A Tríade ou Triângulo se converte no Tetraktys, o

sagrado número pitagórico, o Quadrado perfeito e, sobre a Terra, um Cubo de seis

faces.

O Macroposopo (a Grande Face) passa a ser o Microposopo (a Face Menor);

ou, como dizem os cabalistas, o "Ancião dos Dias", descendo sobre Adão-Kadmon,

que utiliza como veículo de manifestação, fica transformado no Tetragrammaton.

Acha-se então, no "Regaço de Mâyâ", a Grande Ilusão, e entre Ele e a Realidade se

interpõe a Luz Astral, a Grande Enganadora dos Sentidos limitados do homem, a

menos          que   o   conhecimento   venha   em   seu   auxílio   por   intermédio   de

Paramârthasatya.

5. Os Sete191 não haviam ainda nascido do Tecido de Luz.

O Pai-Mãe,

Svabhâvat, era só Trevas; e Svabhâvat jazia nas Trevas (a).

Filhos

(a) A Doutrina Secreta, nas Estâncias que ora apresentamos, se ocupa

principalmente, senão por completo, do nosso sistema solar e em especial de nossa

Cadeia Planetária.

Os "Sete Filhos" são os criadores desta última.

Este ensinamento

será explicado mais adiante com amplitude maior.

Svabhâvat192, a "Essência Plástica" que preenche o Universo, é a raiz de

todas as coisas.

Svabhâvat é, por assim dizer, o aspecto budista concreto da

abstração denominada Mûlaprakriti na filosofia hindu.

É o corpo da Alma, e aquilo

que o Éter seria em relação ao Âkâsha, sendo este último o animador do primeiro.

Os místicos chineses fizeram-no sinônimo de "O Ser". Na tradução chinesa do

Ekashloka-Shâstra de Nâgârjuna (o Lung-shu da China), sob o nome de Yib-shu-lu-

kia-lun, se diz que a palavra "Ser" ou "Subhâva" (Yu em chinês) significa "a

Substância que dá substância a si mesma"; também se explica como significando

"sem ação e com ação", "a natureza que não possui natureza própria". Subhâva, de

que se derivou Svabhâvat, compõe-se de duas palavras: Su, belo, formoso, bom e

bhâva, ser ou estado de ser.

6. Estes dois são o Germe, e o Germe é Uno.

O Universo ainda

estava oculto no Pensamento Divino e no Divino Seio.

O "Pensamento Divino" não implica a idéia de um Pensador Divino.

O

Universo, não só passado, presente e futuro — o que é uma idéia humana e finita,

expressa por meio de um pensamento finito — mas em sua totalidade, o Sat (termo

intraduzível), o Ser Absoluto, com o Passado e o Futuro cristalizados em um eterno

Presente, eis aí aquele Pensamento Divino refletido em uma causa secundária ou

Veja-se o Vol.

II, Parte II, Seção XII, "A Teogonia e os Deuses Criadores".

manifestada.

Brahman (neutro), como o Mysterium Magnum de Paracelso, é um

mistério absoluto para a mente humana.

Brahmâ, o macho-fêmea, o aspecto e

imagem antropomórfica de Brahman, é acessível para a percepção que se baseia na

fé cega, muito embora o repugne a razão humana que alcançou a maturidade193.

Daí a afirmação de que durante o prólogo, por assim dizer, do drama da

Criação, ou o começo da evolução cósmica, o Universo (ou o Filho) "estava ainda

oculto no Pensamento Divino" e não havia ainda penetrado "no Divino Seio". Esta

idéia, observe-se bem, é a fundamental, e constitui a origem de todas as alegorias

concernentes aos "Filhos de Deus", nascidos de virgens imaculadas.

ESTÂNCIA III

O Despertar do Cosmos

1. ...A última Vibração da Sétima Eternidade palpita através do

Infinito (a). A Mãe intumesce e se expande de dentro para fora, como o Botão

de Lótus (b).

(a) O emprego aparentemente paradoxal da expressão "Sétima

Eternidade", dividindo assim o que é indivisível, está consagrado na filosofia

esotérica.

Esta divide a duração sem limites em Tempo incondicionado, eterno e

universal (Kâla), e em tempo condicionado (Khandakâla). Um é a abstração ou

número do Tempo infinito; o outro, o seu fenômeno, que aparece periodicamente

como efeito de Mahat, a Inteligência Universal, limitada pela duração manvantárica.

Veja-se o Vol.

II, Parte II, Seção III, "A Substância Primordial e o Pensamento Divino”.

Segundo algumas escolas, Mahat é o primogênito de Pradhâna

(Substância não diferenciada, ou o aspecto periódico de Mûlaprakriti, a Raiz da

Natureza), sendo Prahana chamada Mâyâ, a Ilusão.

Sobre este ponto, creio que os

ensinamentos esotéricos diferem da doutrina Vedantina, tanto da escola Advaíta

como da Visishthadvaíta: pois dizem que, enquanto Mûlaprakriti, o númeno, é

existente por si mesmo e sem origem, numa palavra, sem pais (Anupâdaka) e uno

com Brahman, Prakriti, seu fenômeno, é periódico e não passa de um fantasma ou

projeção do primeiro.

De igual modo, Mahat, o primogênito de Jnâna (ou Gnose).

Conhecimento, Sabedoria do Logos; é um fantasma refletido do Absoluto Nirguna

(Parabrahman), a Realidade Única, "sem atributos nem qualidades"; ao passo que,

para alguns vedantinos, Mahat é uma manifestação de Prakriti ou Matéria.

(b) A "última Vibração da Eternidade" não estava, portanto, "preordenada"

por nenhum Deus em particular, mas surgiu em virtude da Lei eterna e imutável dos

grandes períodos de atividade e de repouso, chamados, de modo tão sugestivo e ao

mesmo tempo tão poético, os "Dias e Noites de Brahmâ".

A expansão da Mãe (também chamada "Águas do Espaço", "Matriz

Universal" etc.) "de dentro para fora" não significa o expandir de um pequeno centro

ou foco, mas o desenvolvimento da subjetividade sem limites para uma objetividade

também ilimitada, sem referência a magnitude, termo ou área.

"A Substância, (para

nós) sempre invisível e material, presente na Eternidade, projetou sua Sombra

periódica de seu próprio plano no Regaço de Mâyâ." Quer isso dizer que, não sendo

tal expansão um aumento de magnitude, porque a extensão infinita não admite

nenhum aumento, era uma mudança de estado.

A Mãe expande-se "como o botão

de Lótus": porque a planta do Lótus não só existe em miniatura na semente (uma de

suas características físicas), mas o seu protótipo se acha presente como uma forma

ideal na Luz Astral, desde a "Aurora" até a "Noite", durante o período manvantárico,

o que acontece, aliás, com todas as coisas neste Universo objetivo, do homem ao

verme, da árvore gigante à mais pequenina folha de erva.

Tudo isso, conforme nos ensina a Ciência Oculta, é somente o reflexo

temporário, a sombra do eterno protótipo ideal que existe no Pensamento Divino; e

observe-se que a palavra "Eternidade" não tem aqui outro sentido que não o de

"evo", isto é, o de um período que parece não ter fim, mas que é limitado, o ciclo de

atividade chamado Manvantara.

Qual é o significado real e esotérico do vocábulo

Manvantara, ou, antes, Manu-antara? Quer dizer, literalmente, "entre dois Manus", e

há quatorze Manus em cada Dia de Brahmâ, consistindo cada Dia em 1.

agrupamentos de Quatro Idades, 1.000 "Grandes Idades" ou Mahâyugas.

Analisemos agora a palavra Manu.

Dizem os orientalistas em seus dicionários que o

nome Manu vem da raiz Man, pensar; e daí o "homem pensador". Mas,

esotericamente, cada Manu, como tipo antropomorfizado de seu ciclo especial (ou

Ronda), é tão somente a idéia personificada do "Pensamento Divino" (como o

Pimandro hermético); sendo, portanto, cada um dos Manus o deus especial, o

criador e formador de tudo quanto aparece no decorrer de seu próprio ciclo ou

Manvantara.

Fohat é o mensageiro veloz dos Manus (ou Dhyân Chohans) e aquele

que faz os protótipos ideais expandirem-se de dentro para fora — ou seja, passarem

de modo gradual e em escala descendente por todos os planos, desde o numênico

ao fenomenal mais inferior, para que neles floresçam em plena objetividade, como o

maximum de ilusão ou a matéria em seu estado mais grosseiro.

2. A Vibração se propaga, e suas velozes Asas tocam194 o Universo

inteiro e o Germe que mora nas trevas; as Trevas que sopram195 sobre as

adormecidas Águas da Vida.

Da Mônada pitagórica se diz também que habita a solidão e as "Trevas",

como o Germe.

A idéia do Sopro das Trevas, que se move sobre as "Águas

adormecidas da Vida" — a Matéria Primordial com o Espírito em estado latente —,

recorda o primeiro capítulo do Gênesis.

Sua origem é o Nârâyana bramânico

(Aquele que Move as Águas), personificação do Eterno Alento do Todo inconsciente

(ou Parabrahman) dos ocultistas orientais.

As Águas da Vida, ou o Caos — o

princípio feminino no simbolismo —, são o vacuum (para nossa visão mental) em

que jazem o Espírito latente e a Matéria.

Foi o que levou Demócrito a dizer, segundo

o seu preceptor Leucipo, que os princípios ou elementos primordiais de tudo eram

átomos e um vacuum, no sentido de espaço; não, porém, um espaço vazio, pois "a

Natureza tem horror ao vácuo", conforme os princípios dos peripatéticos e dos

filósofos antigos em geral.

Em todas as Cosmogonias a "Água" desempenha o mesmo papel

importante.

É a base e a fonte da existência material.

Os sábios, confundindo a

palavra com o objeto, entenderam que se tratava da combinação química definida

do oxigênio com o hidrogênio, e assim deram significação específica a um termo que

os ocultistas empregam em sentido genérico e ao qual se atribui, em linguagem

cosmogônica, um sentido metafísico e místico.

O gelo não é água, nem é vapor; no

entanto, possuem os três precisamente a mesma composição química.

Simultaneamente.

Que se movem.

3. As Trevas irradiam a Luz, e a Luz emite um Raio solitário sobre as

Águas e dentro das Entranhas da Mãe.

O Raio atravessa o Ovo Virgem; faz o

Ovo Eterno estremecer, e desprende o Germe não-Eterno196, que se condensa

no Ovo do Mundo.

O "Raio Solitário" que penetra nas "Entranhas da Mãe" pode ser

interpretado como o Pensamento Divino ou a Inteligência que fecunda o Caos.

Isto

se passa no plano da abstração metafísica, ou melhor, naquele plano onde o que

chamamos abstração metafísica é uma realidade.

O "Ovo Virgem", sendo em certo

sentido o ovário abstrato, ou o poder de desenvolvimento pela fecundação, é eterno

e sempre o mesmo.

E, do mesmo modo que a fecundação de um ovo se dá antes de

ser posto, assim o Germe periódico, não eterno, que depois veio a ser,

simbolicamente, o Ovo do Mundo, contém em si, quando emerge deste símbolo, "a

promessa e a potência" de todo o Universo.

Se bem que a idéia per se represente

naturalmente uma abstração, uma maneira simbólica de expressão, é um símbolo

verdadeiro, porque sugere a idéia do infinito como um círculo ilimitado.

Apresenta

ante a imaginação um quadro do Cosmos surgindo no espaço sem limites, um

Universo sem fronteiras em sua extensão, embora não sem limites em sua

manifestação objetiva.

O símbolo de um ovo exprime também aquele ensinamento Oculto de que

a forma primordial de cada coisa manifestada, desde o átomo ao planeta, desde o

homem ao anjo, é esferoidal, sendo a esfera, em todas as nações, o símbolo da

eternidade e do infinito, uma serpente que morde a própria cauda.

Para

compreender, porém, sua significação, é preciso representar a esfera tal como deve

Periódico.

ser vista de seu centro.

O campo de visão ou de pensamento assemelha-se a uma

esfera cujos raios avançam em todas as direções e se estendem pelo espaço ao

nosso redor, abrindo-nos perspectivas ilimitadas.

É o círculo simbólico de Pascal e

dos cabalistas, "cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte alguma",

conceito que se ajusta à idéia complexa deste emblema.

O "Ovo do Mundo" é talvez um dos símbolos mais universalmente

adotados, e altamente sugestivo, tanto no sentido espiritual como no sentido

fisiológico ou no cosmológico.

Encontra-se, por isso, em todas as teogonias do

mundo, quase sempre associado ao símbolo da serpente, que existe por toda parte,

nas filosofias como nas religiões — um emblema da eternidade, do infinito, de

regeneração, de renovação e de rejuvenescimento, assim como de sabedoria197. O

mistério de autogeração aparente e da evolução, por meio de seu próprio poder

criador, repetindo em miniatura no ovo o processo da evolução cósmica, ambos os

processos devidos ao calor e à umidade vitalizados pela irradiação do espírito

criador invisível, justifica plenamente a eleição de símbolo tão expressivo.

O "Ovo Virgem" é o símbolo microcósmico do protótipo macrocósmico, a

"Virgem-Mãe", o Caos ou Abismo primordial.

O Criador masculino (não importa sob que nome) faz brotar da virgem

feminina a Raiz sem mácula, fecundada pelo Raio.

Qual a pessoa versada em

ciências naturais e astronômicas que não há de ver quanto de sugestivo existe

nesse símbolo? O Cosmos, como natureza receptora, é um ovo fecundado, que, não

obstante, permanece imaculado; e, desde o momento em que é considerado como

um todo sem limites, não pode ter outra representação que não a da esfera.

O Ovo

Veja-se, no Vol.

II e Parte II, Seção X, "O Culto da Árvore, da Serpente e do Crocodilo".

Áureo estava rodeado de sete elementos naturais, "quatro manifestos (éter, fogo, ar

e água), três secretos". Consta isso do Vishnu Purâna, havendo-se traduzido os

elementos por "Envolturas" e acrescentado mais um secreto Ahamkâra198. O texto

original não menciona Ahamkâra; trata dos sete Elementos sem especificar os três

últimos.

4. Os Três199 caem no Quatro200 A Essência Radiante passa a ser

Sete interiormente e Sete exteriormente (a). O Ovo Luminoso201, que é Três em

si mesmo202, coagula-se e espalha os seus Coágulos brancos como o leite por

toda a extensão das Profundezas da Mãe: a Raiz que cresce nos Abismos do

Oceano da Vida (b).

(a) Convém explicar o emprego de figuras geométricas e as freqüentes

alusões a números, que se vêem em todas as escrituras antigas, como nos Purânas,

no Livro dos Mortos do Egito e até mesmo na Bíblia.

No Livro de Dzyan, tal como na

Cabala, há duas classes de numeração que é preciso estudar: os algarismos que

algumas vezes são simplesmente véus, e os Números Sagrados, cujos valores são

conhecidos pelos ocultistas através da Iniciação.

Os primeiros são meros signos

convencionais; os segundos constituem o símbolo fundamental de tudo.

Vale dizer:

aqueles são puramente físicos e estes metafísicos; existindo entre uns e outros a

mesma relação que entre a Matéria e o Espírito, os pólos extremos da Sabedoria

Una.

Balzac, o ocultista inconsciente da literatura francesa, diz alhures que o

Número é para a Mente o mesmo que é em relação à Matéria: "um agente

Wilson, Vishnu Purâna, I, 40.     Triângulo.

Quaternário.

Hiranyagarbha.

As três hipóteses de Brahmâ ou Vishnu, os três Avasthâs.

incompreensível". Assim será para o profano; nunca para o Iniciado.

O número é,

como supôs o grande escritor, uma Entidade, e ao mesmo tempo um Alento que

emana do que ele chama Deus e nós chamamos o todo, Alento que é o único

organizador do Cosmos físico, "onde nada adquire forma senão por meio da

Divindade, a qual é um efeito do Número".

É interessante reproduzir, a esse respeito, as próprias palavras de Balzac:

"As criações mais insignificantes assim como as de

maior porte — não se distinguem entre si por suas

quantidades, qualidades,     dimensões,    forças   e   atributos,

elementos todos procedentes do Número? O infinito dos

números é um fato demonstrado à nossa mente, mas cuja

prova não pode ser dada em termos físicos.

Dirá o matemático

que o infinito dos números existe, mas não é demonstrável.

Deus é um Número dotado de movimento, que se sente mas

não se pode demonstrar... Como Unidade, dá começo aos

Números, mas nada tem de comum com eles... A existência do

Número depende da Unidade, que, sem um só número,

engendra a todos... Pois quê! Incapaz de medir a primeira

abstração que a Divindade te apresenta, ou de somente

compreendê-la, esperas ainda sujeitar a tuas medidas o

mistério das Ciências Secretas que emana dessa mesma

Divindade?... E que sentirias tu se eu te sumisse nos abismos

do Movimento, na Força que organiza os Números? Que

pensadas se te acrescentasse que o Movimento e o Número

são gerados pelo Verbo, a Raiz Suprema dos Videntes e dos

Profetas, que nos tempos antigos sentiram o Sopro poderoso

de Deus, como o testemunha o Apocalipse?"

(b) "A Essência Radiante coagula-se e difunde-se através dos Abismos do

Espaço." De um ponto de vista astronômico, é fácil a explicação: é a Via-Láctea, o

material de que é feito o mundo, a Matéria Primordial em sua forma incipiente.

Mais difícil, porém, é explicá-lo em poucas palavras à luz da Ciência Oculta e da

Simbologia, porque se trata do mais complicado dos emblemas, nele se contendo

mais de uma dúzia de símbolos.

Para começar, encerra todo o Panteão das coisas

misteriosas, cada uma das quais possuindo uma significação oculta definida,

extraída da alegoria hindu da "Malaxação do Oceano" pelos Deuses204. Assim, é

deste "Mar de Leite" que procedem Amrita, a água da vida ou da imortalidade, a

Surabhi, a "vaca da abundância", chamada a "Fonte do leite e dos coágulos". Daí o

culto universal da vaca e do touro; especificando uma, o poder produtor, e o outro, o

poder gerador na Natureza: símbolos relacionados com as divindades Solares e

Cósmicas.

Como as propriedades específicas para o uso oculto das "quatorze

coisas preciosas" são explicadas unicamente na Quarta Iniciação, não podem ser

expostas aqui; contudo, podemos adiantar o seguinte: Está dito no Shatapatha

Brâhmana que a Malaxação do Oceano de Leite se deu no Satya Yuga, o primeiro

período que se seguiu imediatamente ao "Dilúvio". Mas, como nem o Rig Veda nem

o Manu — ambos anteriores ao "Dilúvio" de Vaivasvata, ou seja, o que aniquilou a

O Número, sim, mas nunca o Movimento.

É o Movimento que dá origem ao Logos, o Verbo em Ocultismo.

As "quatorze coisas preciosas". A narrativa ou alegoria consta do Shatapahta Brâhmana e de outras obras.

A Ciência Secreta japonesa dos místicos budistas, o Yama-bushi, tem "sete coisas preciosas". Voltaremos ao assunto mais adiante.

maioria da Quarta Raça — fazem referência a esse dilúvio, é evidente que não é

nem o Grande Dilúvio, nem o que destruiu a Atlântida, nem mesmo o de Noé, aquele

que ali se menciona.

Aquela "Malaxação" diz respeito a um período anterior à

formação da terra, e se relaciona diretamente com outra lenda universal, cujas várias

e contraditórias versões tiveram sua expressão máxima no dogma cristão da

"Guerra nos Céus" e da "Queda dos Anjos205”.

Os Brâhmanas, criticados freqüentemente pelos orientalistas, por suas

versões contraditórias sobre os mesmos temas, são, antes de tudo, obras

eminentemente ocultas, fazendo, portanto, uso intencional de "véus".                        Se assim

não fosse, estariam já destruídos, desde os tempos de Akbar.

5.     A Raiz permanece, a Luz permanece, os Coágulos permanecem; e,

não obstante, Oeaohoo é Uno.

"Oeaohoo" é traduzido nos Comentários por "Pai-Mãe dos Deuses", ou o

"Seis em Um", ou a Raiz Setenária de que tudo procede.

Depende do acento que se

dê a estas sete vogais: podem pronunciar-se como uma, três e até sete sílabas,

acrescentando-se um e depois do o final.

Esse nome místico somente é divulgado

porque, sem a posse do segredo de sua tríplice pronúncia não produz efeito algum.

"É Uno" refere-se à não-separatividade de tudo quanto vive e existe, seja

em estado ativo ou passivo.

Num sentido, Oeaohoo é a Raiz sem Raiz de Tudo, e

portanto uno com Parabrahman; noutro sentido, é um nome da Vida Una

Manifestada, a Unidade Eterna vivente.

A "Raiz" significa, como já se explicou, o

Veja-se: Vol.

II, Parte II, Seção XI, "Demon est Deus Inversus"; Vol.

IV, Parte II, Seção IV, "O Mito dos Anjos Caídos em seus Vários Aspectos”; e também o Apocalipse, XII.

Conhecimento Puro (Sattva)206, a eterna (nitya) Realidade não condicionada, ou Sat

(Satya), tenha o nome de Parabrahman ou o de Prakriti, pois estes são apenas os

dois símbolos do Uno.

A "Luz" é o mesmo Raio Espiritual Onipresente, que penetrou

e fecundou agora o Ovo Divino, e convoca a Matéria Cósmica para iniciar sua longa

série de diferenciações.

Os "Coágulos" são a primeira diferenciação; e também se

referem, provavelmente, àquela matéria cósmica que se supõe ser a origem da Via-

Láctea (a matéria que conhecemos). Esta "matéria", que, segundo a revelação

recebida dos primitivos Dhyâni-Buddhas, é, durante o sono periódico do Universo,

de tenuidade a máxima que pode perceber a vista do Bodhisattva perfeito; esta

matéria, radiante e fria, dissemina-se pelo espaço ao primeiro despertar do

movimento cósmico, aparecendo, quando olhada da terra, em forma de cachos e

massas, à maneira de coágulos de leite.

São as sementes dos mundos futuros, o

"material do universo estelar".

6. A Raiz da Vida estava em cada Gota do Oceano da Imortalidade207, e o

Oceano era Luz Radiante, que era Fogo, Calor e Movimento.

As Trevas se

desvaneceram, e não existiram mais: sumiram-se em sua própria Essência, o Corpo

de Fogo e Água, do Pai e da Mãe.

Sendo a Essência das Trevas a Luz Absoluta, as Trevas são

consideradas a representação apropriada e alegórica da condição do Universo

durante o Pralaya, ou seja, durante o repouso absoluto ou não-ser, tal como aparece     "O termo original para Entendimento é Sattva, que Shankara traduziu por Antaskarana, "purificado pelos sacrifícios e por outras obras santificadoras". No Katha, página 148, diz Shankara que "Sattva quer dizer Buddhi, sendo esta a acepção corrente da palavra". (Bhagavad Gitâ etc, tradução de Kashinath Trimbak Telang, M. A.; citado por Max Muller, pág.

193.) Seja qual for o significado atribuído ao termo pelas diversas escolas, Sattva é o nome dado pelos ocultistas do sistema Aryâsanga à Mônada dual, ou Âtmâ-Buddhi; e Âtmã-Buddhi corresponde neste plano a Parabrahman, e no plano superior a Mûlaprakriti.

Amrita.

à nossa razão finita.

"O Fogo, o Calor e o Movimento", de que se fala aqui, não são,

por certo, o fogo, o calor e o movimento da ciência física; mas os seus princípios

abstratos, os númenos, ou a alma da essência dessas manifestações materiais — as

"coisas em si", que, segundo confessa a ciência moderna, escapam inteiramente

aos processos de investigação com instrumentos de laboratório, e que a mente

tampouco pode compreender, embora tenha que admitir que tais essências existem

como substratum das coisas.

"Fogo e Água"; "Pai e Mãe208" — podem entender-se como significando o

Raio Divino e o Caos.

"O Caos, ganhando a razão por esta união com o Espírito,

resplandece de alegria; e assim foi produzido o Protógonos (a Luz Primordial)", diz

um fragmento de Hermes.

Damáscio o chama Dis, "o que dispõe de todas as

coisas209".

Segundo os ensinamentos dos Rosacruzes, tais como interpretados pelos

profanos (e desta vez em parte corretamente), "a Luz e as Trevas são idênticas em

si mesmas, sendo separáveis tão-só na mente humana"; e, segundo Roberto Fludd,

"a escuridão se fez iluminar para se tornar visível210". Consoante os princípios do

ocultismo oriental, as Trevas são a única realidade verdadeira, a base e a raiz da

Luz, sem a qual esta última jamais poderia manifestar-se, nem sequer existir.

A Luz

é Matéria; as Trevas, Espírito puro.

As Trevas, em sua base radical e metafísica, são

luz subjetiva e absoluta; ao passo que a Luz, com todo o seu esplendor e glória

aparentes, não passa de um aglomerado de sombras, pois nunca poderá ser eterna,

consistindo simplesmente em ilusão ou Mâyâ.

Veja-se "Kwan-Shi-Yin"; não pode ser dado o nome verdadeiro do texto.

Ancient Fragments, de Cory, pág.

314.     On Rosenkranz.

Até mesmo no Gênesis211, que tanto confunde a razão e perturba a

Ciência, a luz é criada das trevas — "e havia trevas sobre a face do abismo" — e

não vice-versa.

"Ali (nas trevas) estava a vida, e a vida era a luz dos homens212". Dia

virá talvez em que os homens terão seus olhos abertos, e então poderão

compreender melhor o versículo do Evangelho de João, que diz: "E a luz brilhou nas

trevas, e as trevas não a compreenderam." Verão que a palavra "trevas" não se

refere à visão espiritual do homem, mas, em verdade, às Trevas, ao Absoluto, que

não compreende (não pode conhecer) a luz transitória, por mais transcendente que

pareça aos olhos humanos.

Demon est Deus inversus.

A Igreja dá hoje ao diabo o

nome de Trevas, mas a Bíblia, no Livro de Job, o chama "Filho de Deus", a estrela

resplandecente da manhã, Lúcifer.

Existe todo um sistema filosófico de artifício

dogmático na razão pela qual o primeiro Arcanjo, que emergiu das profundezas do

Caos, foi denominado Lux (Lúcifer), o "Filho Luminoso da Manhã", ou da Aurora

Manvantárica.

A Igreja o transformou em Lúcifer ou Satã, porque era mais antigo e

de mais elevada categoria que Jehovah, devendo ser por isso sacrificado ao novo

dogma.

7. Vê, ó Lanu213!, o Radiante Filho dos Dois, a Glória refulgente e sem

par: o Espaço Luminoso, Filho do Negro Espaço, que surge das Profundezas

das Grandes Águas Sombrias.

É Oeaohoo, o mais jovem, o ***214 (a). Ele brilha

como o Sol.

É o Resplandecente Dragão Divino da Sabedoria.

O Eka215 é

Chatur, e Chatur toma para si Tri, e a união produz Sapta, no qual estão os

I, 2.     João, I, 4.     Lanu é um aluno, um cheia que estuda Esoterismo prático.

"Que tu conheces agora como Kwan-Shai-Yin." — Comentário     Eka é um, Chatur quatro, Tri três, e Sapta sete.

Sete; que se tornam o Tridasha216, os Exércitos e as Multidões (b). Contempla-

o levantando o Véu e desdobrando-o de Oriente a Ocidente.

Ele oculta o

Acima, e deixa ver o Abaixo como a Grande Ilusão.

Assinala os lugares para os

Resplandecentes217, e converte o Acima218 num Oceano de Fogo (c) sem

praias, e o Uno Manifestado219 nas Grandes Águas.

(a) "O Espaço Luminoso, Filho do Negro Espaço" corresponde ao Raio

que, à primeira vibração da nova Aurora, incidiu sobre as grandes Profundezas

Cósmicas, de onde ressurge diferenciado como Oeaohoo, "o mais Jovem" (a "Nova

Vida"), para converter-se, ao fim do Ciclo de Vida, no Germe de todas as coisas.

É o

"Homem Incorpóreo, que traz em si mesmo a Idéia Divina", o gerador da Luz e da

Vida, para usar uma expressão de Filon, o Judeu.

E é chamado o "Resplandecente

Dragão de Sabedoria": em primeiro lugar, porque é o que os filósofos gregos

denominavam Logos, o Verbo do Pensamento Divino; em segundo, porque, na

filosofia esotérica, sendo esta primeira manifestação a síntese ou a súmula da

Sabedoria Universal, Oeaohoo, "o Filho do Sol", contém em si mesmo os Sete

Exércitos Criadores (os Sephiroth), sendo assim a essência da Sabedoria

manifestada.

"O que se banha na Luz de Oeaohoo jamais será enganado pelo Véu

de Mâyâ."

"Kwan-Shai-Yin" é idêntico ao Avalokiteshvara sânscrito e, como tal, uma

divindade andrógina, do mesmo modo que o Tetragrammaton e todos os Logos da

antigüidade; Só algumas seitas da China o antropomorfizam e o representam com

"Tridasha", ou trinta, três vezes dez, é uma alusão às divindades védicas, em números redondos, ou com maior precisão 33, um número sagrado.

São os 12 Adityas, os 8 Vasus, os 11 Rudras e os Ashvins, filhos gêmeos do Sol e do Céu.

É o número fundamental do Panteão hindu, que conta "crores", ou 330 milhões de deuses e deusas.

Estrelas.

O Espaço Superior.

Elemento.

atributos femininos; e sob este aspecto passa a ser Kwan-Yin, a Deusa da

Misericórdia, também chamada a "Voz Divina220"?. Esta última é a divindade

protetora do Tibete e da Ilha de Puto, na China, onde ambas as divindades têm um

certo número de mosteiros221.

Os deuses superiores da antigüidade são todos "Filhos da Mãe", antes

de se tornarem "Filhos do Pai". Os Logos, como Júpiter ou Zeus, filho de Cronos-

Saturno, "o Tempo Infinito" (Kâla), eram originariamente representados como

masculino-femininos.

De Zeus se diz que é a "Virgem bela", e Vênus é descrita com

barba.

Apolo em sua origem era bissexual, como também o é Brahmâ-Vach em

Manu e nos Purânas.

Pode-se confundir Osíris com Ísis, e Horus é de ambos os

sexos.

Finalmente, na visão de São João (Apocalipse) o Logos, associado agora a

Jesus, é hermafrodita, pois que sua descrição o apresenta com seios de mulher.

O

mesmo sucede em relação ao Tetragrammaton e a Jehovah.

Em Esoterismo, porém,

há dois Avalokiteshvaras: o Primeiro e o Segundo Logos.

Em nossos dias de política e de ciência, não há símbolo religioso que

possa escapar à profanação e à zombaria.

Na Índia Meridional teve a autora ocasião

de ver um hindu convertido a fazer pûjàb com oferendas ante uma imagem de Jesus

vestido de mulher e com uma argola no nariz.

Como lhe indagássemos a razão

desse travesti, respondeu-nos que se tratava de Jesus e Maria reunidos em uma só

peça, e que o fizera com permissão do Padre, pois o zeloso converso não dispunha

de dinheiro para adquirir duas imagens, ou "ídolos", como os qualificou com certa

razão outro hindu que testemunhou a ocorrência e não era convertido.

Parecerá

A Sofia dos Gnósticos, "a Sabedoria", que é "a Mãe" da Ogdóada (em certo sentido, Aditi com seus oito filhos), é o Espírito Santo e o Criador de tudo, como nos sistemas antigos.

O "Pai" é uma invenção que surgiu mais tarde.

O primeiro dos Logos manifestados era, em toda parte, feminino — a mãe dos sete poderes planetários.

Veja-se Chinese Buddhism, do Reverendo Joseph Edkins, que expõe os fatos sempre corretamente, embora sejam freqüentes vezes errôneas as suas conclusões.

Veja-se, no Volume II, a Parte II, Seção XV, "Sobre Kwan-Shai-Yin e Kwan-Yin".

uma blasfêmia aos olhos do cristão dogmático, mas o teósofo e o ocultista têm que

conceber a palma da lógica ao hindu converso.

O Christos esotérico da Gnose

carece naturalmente de sexo; é, porém, andrógino na teologia exotérica.

(b) O "Dragão da Sabedoria" é o Um, o "Eka" ou Saka.

É curioso observar

que o nome de Jehovah em hebreu é também Um, Achad.

"Seu nome é Achad",

dizem os rabinos.

Cabe aos filólogos decidir qual dos dois termos é derivado do

outro, do ponto de vista lingüístico e simbólico; não o será, certamente, a palavra

sânscrita.

O "Um" e o "Dragão" são expressões usadas pelos antigos, quando se

referiam aos seus respectivos Logos.

Jehovah — esotericamente Elohim — é

também a Serpente ou Dragão que tentou Eva; e o Dragão é um antigo emblema da

Luz Astral (o Princípio Primordial), "que é a Sabedoria do Caos". A filosofia arcaica,

não reconhecendo nem o Bem nem o Mal como potência fundamental ou

independente, mas apresentando essas duas forças como aspectos da Luz pura

que, no curso da evolução natural, se condensa gradualmente na forma,

convertendo-se, portanto, na Matéria, isto é, no Mal.

A ignorância dos primeiros

padres cristãos desvirtuou a idéia filosófica e altamente científica contida nesse

emblema, transformando-a na absurda superstição do "Diabo". Foram-no buscar aos

zoroastrianos do último período, que viam diabos ou o Mal nos Devas hindus; e a

palavra Evil (Mal) se converteu, assim, numa dupla transmutação, em D'Evil (Diabos,

Diable, Diavolo, Teufel). Mas os pagãos sempre deram mostra de discernimento

filosófico em seus símbolos.

O emblema primitivo da serpente simbolizava sempre a

Sabedoria Divina e a Perfeição, e era considerado como equivalente à Regeneração

psíquica e à Imortalidade.

É por isso que Hermes chamava a Serpente o mais

espiritual de todos os seres.

Moisés, iniciado na sabedoria de Hermes, diz a mesma

coisa no Gênesis; e a Serpente gnóstica, com as sete vogais sobre a cabeça, era o

emblema das Sete Hierarquias dos Criadores Setenários ou Planetários.

Daí

também a serpente dos hindus Shesha ou Ananta, o Infinito; um nome de Vishnu e o

seu primeiro Vâhana, ou veículo, sobre as Águas Primordiais.

Entretanto, da mesma

forma que os Logos e as Hierarquias de Poderes, devem-se distinguir tais serpentes

umas das outras.

Shesha ou Ananta, o "Leito de Vishnu", é uma abstração alegórica,

simbolizando o Tempo infinito no Espaço, que contém o Germe e dele lança

periodicamente a eflorescência (o Universo manifestado); ao passo que o Ophis

gnóstico encerra, em suas sete vogais, o mesmo simbolismo tríplice do Oeaohoo de

uma, três e sete sílabas da doutrina arcaica, a saber: o Primeiro Logos Não-

manifestado, o Segundo Manifestado, o Triângulo que se concretiza no Quaternário

ou Tetragrammaton, e os Raios deste no plano material.

Apesar disso, todos eles estabelecem uma distinção entre a boa e a má

Serpente (a Luz astral dos cabalistas); a primeira, a encarnação da Sabedoria Divina

na região do Espiritual, e a segunda, o Mal, no Plano da Matéria.

Porque a Luz

Astral, ou o Éter dos antigos pagãos (o nome de Luz Astral é de todo moderno) é o

Espírito-Matéria, que, procedente do plano puramente espiritual, se torna cada vez

mais grosseiro à medida que desce, até converter-se em Mâyâ, ou a Serpente

tentadora e enganosa, em nosso plano.

Jesus admitiu a Serpente como sinônimo de Sabedoria, e em um de seus

ensinamentos disse: "Sede sábios como a serpente."

"No começo, antes que a Mãe se convertesse em Pai-Mãe, o Dragão de

Fogo se movia sozinho no seio do Infinito222." O Aitareya Brâbmana chama à terra

Livro de Sarparâjni.

Sarparâjni, a "Rainha-Serpente" e a "Mãe de tudo o que se move223". Antes de o

nosso Globo assumir a forma de ovo (e também o Universo), "um longo rastro de

poeira cósmica (ou névoa de fogo) se movia e se retorcia como uma serpente no

Espaço". "O Espírito de Deus movendo-se no Caos" foi simbolizado por todos os

povos sob a forma de uma serpente de fogo, exalando chama e luz sobre as águas

primordiais, até haver incubado a matéria cósmica e fazê-la tomar a forma anular de

uma serpente que morde a própria cauda; o que simboliza não somente a

Eternidade e o Infinito, mas também a forma esférica de todos os corpos produzidos

no Universo daquela névoa de fogo.

O Universo, a Terra e o Homem se despojam

periodicamente de suas velhas peles, para retomar outras novas depois de um

período de repouso, como o faz a serpente.

Esta imagem da serpente não é decerto

menos graciosa ou menos poética que a da lagarta e da crisálida de que surge a

borboleta, emblema grego de Psique, a alma humana.

O Dragão era também o

símbolo do Logos entre os Egípcios, assim como entre os Gnósticos.

No Livro de

Hermes, Pimandro, o mais antigo e espiritual dos Logos do continente ocidental,

aparece a Hermes sob a forma de um Dragão de "Luz, Fogo e Chama". Pimandro, a

personificação do "Pensamento Divino", diz:

"A luz sou eu; eu estou em Nous (a Mente ou Manu);

eu sou teu Deus, e sou muito mais antigo que o princípio

humano que escapa da sombra das Trevas ou a Divindade

oculta.

Eu    sou    o    germe     do    Pensamento,        o       Verbo

resplandecente, o Filho de Deus.

Tudo o que vê e ouve em ti é

o Verbo do Mestre, é o Pensamento Mahat, o qual é Deus, o

Veja-se: Das Kaushitaki Brâhmana, texto sânscrito, editado por B. Lindner, Ph. D., pág.

(1897); e Rigveda Brâhmanas, trad.

de A. Berriedale Keith, D. Litt, pág.

511, nota 2 (1920).

Pai224. O Oceano celeste, o Æther... é o sopro do Pai, o

princípio que dá a vida, a Mãe, o Espírito Santo... Porque estes

não estão separados, e sua união é si Vida225."

Encontramos aqui o eco iniludível da Doutrina Secreta arcaica, de que ora

nos ocupamos.

Ocorre apenas que esta última não coloca à frente da Evolução da

Vida o "Pai", que vem em terceiro lugar e é o "Filho da Mãe"; mas ali situa o "Eterno

e Incessante Alento do todo". Mahat (o Entendimento, a Mente Universal, o

Pensamento etc.), antes de se manifestar como Brahmâ ou Shiva, aparece como

Vishnu — diz o Sânkhya Sâra226. É por isso que ele tem vários aspectos, tal como

o Logos.

Mahat é chamado o Senhor na Criação Primária, e neste sentido é o

Conhecimento Universal ou o Pensamento Divino; mas aquele "Mahat, que foi o

primeiro a surgir", é depois chamado Ego-ismo, quando nasce como (o sentimento

mesmo do) "Eu"; é então o que se chama a "Segunda Criação"227. E o tradutor (um

inteligente e culto brâmane, não um orientalista europeu) esclarece, em nota ao pé

da página: "isto é, quando Mahat desenvolve o sentimento da consciência de si

mesmo, o Eu, então recebe o nome de Egoísmo", o que, em termos esotéricos,

significa que, quando Mahat se transforma no Manas humana (ou ainda no dos

deuses finitos), passa a ser Aham-ismo228.           A razão por que é chamado o Mahat da

criação Segunda (ou da Nona, a de Kumâra no Vishnu Purâna) será explicada mais

adiante.

"Deus, o Pai" deve aqui significar, sem dúvida, o sétimo princípio no Homem e, no cosmos, princípio que é inseparável, em sua Essência e Natureza, do sétimo princípio cósmico.

Em certo sentido, é o Logos dos gregos e o Avalokiteshvara dos "Budistas" esotéricos.

Veja-se o Divino Pimandro, trad.

do Dr. Everard (1650), reeditado por Hargrave Jennings (1884), págs.

8-9.     Edição de Fitzedward Hall na Biblioteca Indica, pág.

16.     Anugitâ, cap.

XXVI, tradução de K. T. Telang, pág.

333.     Eu-ismo ou Ego-ismo, do sânscrito aham, eu

(c) O "Mar de Fogo" é, portanto, a Luz Supra-Astral (ou seja, Numênica),

a radiação primeira da Raiz Mûlaprakriti, a Substância Cósmica não diferenciada,

que se converte em Matéria Astral.

Também se chama a "Serpente de Fogo", como

já dissemos.

Se se atentar em que não há senão Um Elemento Universal infinito,

inato e imperecível, sendo tudo o mais — como o mundo dos fenômenos — tão

somente aspectos vários e múltiplos e transformações diferenciadas (chamam-se

hoje correlações)           daquela Unidade, desde os produtos do macrocosmo até os do

microcosmo, desde os seres supra-humanos aos seres humanos e sub-humanos,

numa palavra, a totalidade da existência objetiva — então a primeira e maior

dificuldade desaparecerá, e a Cosmologia Oculta se fará compreensível.

Tanto na

Teologia egípcia como na indiana havia uma Divindade Oculta, o UNO, e um deus

criador andrógino: Shoo era o deus da criação, e Osíris, em sua forma primária e

original, o Deus "cujo nome é desconhecido229".

Todos os cabalistas e ocultistas, orientais e ocidentais, reconhecem: (a) a

identidade do "Pai-Mãe" com o                Æther Primordial ou Âkâsha (a Luz Astral); e (b) sua homogeneidade antes da evolução do "Filho", o "Fohat" cosmicamente, pois

este é a Eletricidade Cósmica: "Fohat endurece e dispersa os Sete Irmãos230":

significa que a Entidade Elétrica Primordial (os ocultistas orientais afirmam que a

Eletricidade é uma Entidade) vitaliza com a força elétrica a matéria primordial e pré-

genética, separando-a em átomos, que são a origem de toda vida e consciência.

"Existe um

Veja-se Abydos, de Mariette, II, 63, e III, 413, 414, n.° 1.122.       Livro de Dzyan, III.

agente único universal de toda forma e de toda vida — chama-se Od, Ob e Aour231,

ativo e passivo, positivo e negativo, como o dia e a noite: é o alvor da Criação"

(Eliphas Lévi), a "primeira luz" do Elohim primordial, o Adão "andrógino", ou

(cientificamente) a Eletricidade e a Vida.

Os antigos o representavam por uma serpente, porque "Fohat silva,

quando desliza de um ponto para outro" em ziguezagues.

A Cabala o designa pela

letra hebraica Teth O, cujo símbolo é a serpente, que desempenhava tão importante

papel nos Mistérios.

Seu valor universal é nove, porque é a nona letra do alfabeto e

a nona porta das cinqüenta que dão acesso aos mistérios ocultos do ser.

É o agente

mágico por excelência, e na filosofia hermética indica a "Vida insuflada na Matéria

Primordial", a essência imanente em todas as coisas e o espírito que lhes determina

as formas.

São duas, porém, as operações hermética secretas, uma espiritual e

outra material, correlativas ambas e unidas sempre.

Disse Hermes:

"Tu separarás a terra do fogo, o sutil do sólido... o

que sobe da terra para o céu e o que desce do céu para a

terra.

.. Isso (a luz sutil) é a potência de toda força, porque

domina todas as coisas sutis e penetra todos os sólidos.

Assim

foi formado o mundo."

Não foi Zenão, o fundador do estoicismo, o único a ensinar que o

Universo evoluciona e a substância primária se transforma do estado de fogo no de

Od é a Luz pura que dá a vida, o fluido magnético: Ob é o mensageiro da morte, de que se servem os feiticeiros, o fluido nefasto; Aour é a síntese dos dois, a Luz Astral propriamente.

Podem os filólogos dizer por que Od, termo usado por Reichenbach para designar o fluido vital, é também uma palavra tibetana que significa luz, resplendor, brilho? Em sentido oculto ainda quer dizer "céu". Donde vem, pois, a raiz da palavra; Por outra parte, Âkâsha não é exatamente o Éter, mas algo muito mais levado, como se mostrará.

ar, depois no de água, etc.

Heráclito de Éfeso sustentava que o único princípio

existente na base de todos os fenômenos da Natureza é o fogo.

A inteligência que

move o Universo é o fogo, e o fogo é inteligência.

E, enquanto Anaximenes diz a

mesma coisa do ar, e Thales de Mileto (600 anos antes de Cristo) outro tanto da

água, a Doutrina Secreta concilia todos esses filósofos, demonstrando que, embora

cada qual esteja com a razão em seu respectivo ponto de vista, nenhum destes

sistemas é completo.

8. Onde estava o Germe, onde então se encontravam as Trevas?

Onde está o Espírito da Chama que arde em tua Lâmpada, ó Lanu? O Germe é

Aquilo, e Aquilo é a Luz, o Alvo e Refulgente Filho do Pai Obscuro e Oculto.

A resposta à primeira pergunta, sugerida pela segunda, que é a réplica do

mestre ao discípulo, contém, numa só frase, uma das verdades mais essenciais da

filosofia oculta.

Indica a existência de coisas imperceptíveis aos nossos sentidos

físicos, coisas que são muito mais importantes e muito mais reais e permanentes do

que aquelas que impressionam os sentidos.

Antes que ao Lanu seja dado

compreender o problema de metafísica transcendente que se contém na primeira

pergunta, é mister que seja capaz de responder à segunda, na qual se acha

precisamente a chave para a resposta correta da outra.

No Comentário sânscrito a esta Estância, são numerosos os termos

usados em relação ao Princípio oculto e não revelado.

Nos mais primitivos

manuscritos da literatura hindu, esta Divindade Abstrata e não revelada carece de

nome.

É designada geralmente por "Aquilo" (Tad, em sânscrito), significando tudo o

que é, foi e será, ou que pode ser assim concebido pela mente humana.

Entre as denominações atribuídas ao Princípio Abstrato pela filosofia

esotérica — como "Trevas Insondáveis", "Torvelinho" etc.

— também se encontram

as de "Aquilo do Kâlahansa", "Kâla-ham-sa" e até mesmo "Kali Hamsa" (Cisne

Negro). Aqui o m e o n são permutáveis, e ambos têm o som nasal da sílaba

francesa an ou am. Sucede no sânscrito, como também no hebreu, que muitos

nomes misteriosos e sagrados não dizem ao ouvido mais do que qualquer palavra

comum, porque se acham ocultos sob a forma de anagramas ou de outra maneira.

Um exemplo disso é a própria palavra Hansa ou Hamsa.

Hamsa equivale a "A-Hm-

sa", três palavras que significam "Eu sou Ele"; mas, repartindo-se de outro modo,

pode ler-se "So-ham". "Ele (sou) Eu". Nesta única palavra está contido o mistério

universal, o princípio da identidade da essência do homem com a essência divina,

para aquele que entende a linguagem da sabedoria.

Daí o emblema e a alegoria de

Kâlahansa (ou Hamsa), e o nome dado a Brahman (neutro), e depois ao Brahmâ

masculino, de Hansa Vâhana, "o que usa Hamsa como veículo". A mesma palavra

também pode ser lida "Kâlaham-sa", ou "Eu Sou Eu na Eternidade do Tempo", o que

corresponde à frase bíblica, ou antes zoroastriana, "Eu sou o que sou". Idêntica

doutrina se encontra na Cabala, como o demonstra o seguinte excerto de um

manuscrito inédito do erudito cabalista Sr. S. Liddell McGregor Mathers:

"Usam-se os três pronomes            ,      ,    ,

Hua, Ateh, Ani — Ele, Tu, Eu —, para simbolizar as idéias do

Macroposopo e do Microposopo na Cabala hebraica.

Hua,

"Ele", aplica-se ao Macroposopo oculto; Ateh, "Tu", ao

Microposopo; e Ani, "Eu", a este último quando representa a

pessoa que fala (Veja-se Lesser Holy Assembly.

204 e segs.).

É de notar que cada um destes nomes se compõe de três

letras; Aleph,    , A , está no fim da primeira palavra Hua e no

começo de Atah e de Ani, como que formando o laço de

conexão entre os três nomes.

Mas Aleph,              , é o símbolo da

Unidade e, por conseguinte, da idéia invariável do Divino,

operando através de todos eles.

Atrás de Aleph,            , na palavra

Hua, estão as letras Vau, , e He,           , símbolos dos números

Seis e Cinco, o Macho e a Fêmea, o Hexagrama e o

Pentagrama.

E os números das três palavras Hua, Ateh e Ani

são 12, 406 e 61, os quais se acham resumidos nos números-

chaves 3, 10 e 7 pela Cabala das Nove Câmaras, que é uma

forma da regra exegética de Ternura”.

É inútil qualquer tentativa de explicar completamente o mistério.

Os

materialistas e os modernos homens de ciência jamais o compreenderiam, uma vez

que, para obter uma clara percepção, seria preciso, primeiro que tudo, admitir o

postulado de uma Divindade eterna, onipresente e imanente em toda a Natureza;

em segundo lugar, aprofundar o mistério da eletricidade em sua verdadeira

essência; e, em terceiro, aceitar que o homem é o símbolo setenário, no plano

terrestre, da Grande Unidade, o Uno, o Logos, que é o signo de Sete vogais, o

Alento cristalizado no Verbo232.

O que também se assemelha às doutrinas de Fichte e dos panteístas alemães.

O primeiro venera a Jesus como o grande instrutor que pregou a unidade do espírito do homem com o Espírito de Deus ou Princípio Universal (doutrina advaíta). É difícil encontrar uma só especulação metafísica do Ocidente que não tenha sido antecipada pela filosofia arcaica oriental.

De Kant a Herbert Spencer tudo se reduz a um eco mais ou menos desfigurado das doutrinas Dvaíta, Advaíta e Vedantina em geral.

Quem admitir tudo isso há de também admitir as combinações múltiplas

dos sete planos do Ocultismo e da Cabala, com os doze signos zodiacais, e atribuir,

como nós o fazemos, a cada planeta e a cada constelação uma influência que,

segundo as palavras de Ely Star, "lhes é própria, benéfica ou maléfica, e isso de

acordo com o Espírito planetário que governa cada um, e que, por sua vez, é capaz

de influir sobre os homens e as coisas que estão em sintonia com eles e que lhes

são afins". Por estas razões, e sendo mui poucos os que nisso acreditam, tudo o que

se pode dizer por enquanto é que, em ambos os casos, o símbolo de Hamsa (quer

seja Eu, Ele, Ganso ou Cisne) é um símbolo importante, representando, entre outras

coisas, a Sabedoria Divina, a Sabedoria nas Trevas, fora do alcance dos homens.

Para fins exotéricos, Hamsa, como sabem todos os hindus, é um pássaro fabuloso,

que, ao ser-lhe dado (na alegoria) leite misturado com água, separava os dois,

bebendo o leite e deixando a água, numa demonstração de sabedoria; pois o leite

representa simbolicamente o espírito, e a água a matéria.

A antigüidade remotíssima dessa alegoria se evidencia pela referência

constante do Bhagavad Purâna a certa casta chamada Hamsa ou Hansa, que era a

"casta única" por excelência, quando, em tempos mui longínquos, envolto nas

brumas de um passado esquecido, não existia entre os hindus mais do que "Um

Veda, Uma Divindade e Uma Casta".        Há também nos Himalaias uma montanha

que os velhos livros descrevem como situada ao norte do Monte Meru, com o nome

de Hamsa, e relacionada com episódios pertencentes à história das iniciações e dos

mistérios religiosos.

Quanto a Kâlahansa, que nos textos exotéricos e nas traduções

dos orientalistas figura como o veículo de Brahmâ-Prajâpati, nisto há completo erro.

Brahman, o neutro, é ali chamado Kâla-hansa, e Brahmâ, masculino, Hansa-vahâna,

porque certamente "o seu veículo é um cisne ou um ganso233". Trata-se de uma

glosa puramente exotérica.

Esotérica e logicamente, se Brahman, o infinito, é tudo o

que descrevem os orientalistas, e se é também o que dizem os textos vedantinos,

uma divindade abstrata, de modo algum caracterizada por atributos humanos; se ao

mesmo tempo se sustenta que tem o nome de Kâla-hansa — como pode então vir a

ser o Vâhan de Brahmâ, o deus finito manifestado? É precisamente o contrário.

O

"Cisne ou Ganso" (Hansa) é o símbolo da Divindade masculina ou temporária,

Brahmâ, a emanação do Raio primordial, que serve de Vâhan ou Veículo para o

Raio Divino, o qual de outro modo não se poderia manifestar no Universo, por ser

ele mesmo uma manifestação das Trevas (ou, pelo menos, daquilo que se afigura

como tal à mente humana). Brahmâ é, portanto, Kâlahansa, e o Raio, Hansa-

vâhana.

É ainda igualmente significativo o estranho símbolo adotado; seu

verdadeiro sentido místico é a idéia de uma matriz universal, representada pelas

Águas Primordiais do Abismo, ou abertura para a recepção e a subseqüente saída

daquele Raio Uno (o Logos), que contém em si os outros Sete Raios Procriadores

ou Poderes (os Logos ou Construtores).

Daí terem os Rosacruzes elegido por símbolo o pássaro aquático (seja o

cisne ou o pelicano) com os seus sete filhotes (símbolo modificado e adaptado à

Veja-se o Dictionary of Hindu Mythology de Dowson, pág.

51.

religião de cada país234. Ain Suph é chamado no Livro dos Números235 a "Alma de

Fogo do Pelicano". Surge em cada Manvantara como Nârâyana ou Svâyambhuva, o

Existente por Si, e, penetrando no Ovo do Mundo, dele sai no final da divina

incubação, como Brahmâ ou Prajâpati, o progenitor do Universo futuro, no qual se

expande.

É Purusha (o Espírito), mas também é Prakriti (a Matéria). Por isso,

unicamente depois de haver-se dividido em duas metades, Brahmâ-Vâch (a fêmea)

e Brahmâ-Virâj (o macho), é que Prajâpati se torna o Brahmâ masculino.

9. A Luz é a Chama Fria, e a Chama é o Fogo, e o Fogo produz o

Calor, que dá a Água — a Água da Vida na Grande Mãe236.

Convém ter presente que os termos "Luz", "Chama" e "Fogo" foram

adotados pelos tradutores do vocabulário dos antigos "Filósofos do Fogo237" a fim de

tornar mais claro o significado dos termos e símbolos arcaicos empregados no

original.

De outro modo ficariam estes de todo ininteligíveis para o leitor europeu.

Para o estudante de Ocultismo, no entanto, os termos mencionados são bastante

claros.

Que espécie de ave seja, cygnus, anser ou pelicanus, não importa, pois é sempre uma ave aquática que flutua ou nada sobre as águas, como o Espírito, saindo depois para dar nascimento a outros seres.

A verdadeira significação do símbolo do Grau Dezoito dos Rosacruzes é exatamente essa, embora depois o tivessem poeticamente convertido no sentimento maternal do pelicano que dilacera o próprio peito para alimentar com seu sangue os sete filhos pequeninos.

A razão pela qual Moisés proíbe comer o pelicano e o cisne (Deuteronômio, XIV, 16-17), classificando-os entre as aves impuras, e ao mesmo tempo permite comer "gafanhotos, escaravelhos, cigarras e os de sua espécie" (Levítico, XI, 22), é puramente fisiológica, e não tem relação com a simbologia mística, exceto em que a palavra "impura", como qualquer outra palavra, não deve ser entendida no sentido literal — porque é esotérica, como tudo o mais, e tanto pode significar "sagrado" como o contrário.

É um "véu" muito sugestivo para o caso de certas superstições, por exemplo, a do povo russo, que não come o pombo, não pelo fato de ser "impuro", mas porque se diz que o Espírito Santo apareceu sob a forma de uma pomba.

O Caos     Não os alquimistas da Idade Média, mas os Magos e os Adoradores do Fogo, de quem os Rosacruzes ou os filósofos per ignem, sucessores dos teurgistas, houveram todas as idéias referentes ao Fogo, como elemento místico e divino.

A "Luz", a "Chama", o "Frio", o "Fogo", o "Calor", a "Água" e a "Água da

Vida" tão todos em nosso plano as resultantes, ou, como diria um físico moderno, as

correlações, da Eletricidade.

Palavra de tanta força e símbolo ainda mais poderoso!

Gerador sagrado de uma progênie não menos sagrada: do Fogo, que é o criador, o

conservador e o destruidor; da Luz, que é a essência de nossos divinos

antepassados; da Chama, que é a Alma das coisas.

A Eletricidade, a Vida Una na

escala mais elevada do Ser, e o Fluido Astral, o Atanor dos alquimistas, na inferior;

Deus e o Diabo, o Bem e o Mal...

Por que então se diz que a Luz é a "Chama Fria"? Porque, na ordem da

Evolução Cósmica (segundo ensina o Ocultismo), a energia que atua sobre a

matéria, depois de sua primeira formação em átomos, é gerada em nosso plano pelo

Calor Cósmico; e porque o Cosmos, no sentido de matéria não agregada, não existia

antes dessa fase.

A primeira Matéria Primordial, eterna e coeva do Espaço, e "que

não tem princípio nem fim, não (é) quente nem fria, mas possui uma natureza

especial e própria", reza o Comentário.

O Calor e o Frio são qualidades relativas e

pertencem ao domínio dos mundos manifestados, todos procedentes do Hylé

manifestado, sendo este, em seu aspecto absolutamente latente, designado sob o

nome de "Virgem Fria", e, quando já desperto para a vida, sob o de "Mãe". Os

antigos mitos da cosmogonia ocidental dizem que no princípio só existia a névoa fria

(o Pai) e o limo prolífico (a Mãe, Ilus ou Hylé), de onde saiu deslizando a Serpente

do Mundo (a Matéria)238. A Matéria Primordial, pois, antes de surgir do plano daquele

que jamais se manifesta, e de despertar à ação vibratória sob o impulso de Fohat,

não é senão "uma radiação fria, incolor, sem forma, insípida e desprovida de toda

qualidade e aspecto". E assim também é sua Primogenitura, os "Quatro Filhos", que

Ísis sem Véu, I, 146.

"são Um e se tornam em Sete",                   as   Entidades cujas     qualificações   e nomes

serviram aos ocultistas orientais para designar                   antigamente     quatro dos sete

"Centros de Força" primários, ou Átomos, que por último se desenvolvem nos

grandes "Elementos" Cósmicos, atualmente subdivididos nos setenta e tantos

subelementos conhecidos pela ciência moderna.

As quatro "Naturezas Primárias"

dos primeiros Dhyân Chohans são chamadas (na falta de melhores nomes)

Akhâshica, Etérea, Aquosa e ígnea.

Correspondem, na terminologia do ocultismo

prático, às definições científicas dos gases, e podem ser denominadas, para dar

uma idéia clara tanto aos ocultistas como ao público em geral, como para-

hidrogênica239,      para-oxigênica, oxiidrogênica e ozônica ou talvez nitroozônica;

sendo estas últimas         forças,     ou bases           (em   Ocultismo,     substâncias supra-

sensíveis, embora atômicas), de maior efeito e mais ativas quando imprimem sua

energia no plano da         matéria mais grosseiramente diferenciada.

Tais elementos

são, por sua vez, eletropositivos e eletronegativos.

São eles e muitos outros

provavelmente os "elos que faltam" da química.

Em alquimia são conhecidos por

outros nomes, assim como em ocultismo prático.

Combinando e recombinando ou

dissociando os        "Elementos"      de uma         certa   forma, por meio do Fogo Astral, é

como se produzem os maiores fenômenos.

10. O Pai-Mãe urde uma Tela, cujo extremo superior está unido ao

Espírito240, Luz da Obscuridade Única, e o inferior à Matéria, sua Sombra241. A

Tela é o Universo, tecido com as Duas Substâncias combinadas em Uma, que

é Svabhâvat.

"Para" tem o sentido de além de, fora de.     Purusha.

Prakriti.

No Mândukya Upanishad242 está escrito: "Assim como a aranha estende e

recolhe a sua teia; assim como as plantas brotam da terra.. . assim também o

Universo provém de Aquele que não desaparece" — Brahmâ — porque o "Germe

das Trevas desconhecidas" é o material de que tudo se desenvolve e evoluciona,

"como a teia da aranha e a espuma da água" etc.

Mas isto somente será expressivo

e verdadeiro se o termo Brahmâ, o "Criador", se derivar da raiz brih, crescer ou

expandir-se. Brahmâ expande-se e converte-se no Universo tecido de sua própria

substância.

A mesma idéia foi admiravelmente traduzida por Goethe nos seguintes

versos:

Assim no estrepitante tear do Tempo eu trabalho

Tecendo para Deus a veste com que o hás de ver.

11. A Tela se distende quando o Alento do Fogo243 a envolve; e se

contrai quando tocada pelo Alento da Mãe244.             Então os Filhos245 se separam,

dispersando-se, para voltar ao Seio de sua Mãe no fim do Grande Dia,

tornando-se de novo uno com ela.

Seus Filhos se dilatam e se retraem dentro

de Si mesmos e em seus Corações; Eles abrangem o Infinito.

A expansão do Universo sob a ação do "Alento de Fogo" é muito

sugestiva, considerada à luz do período da névoa de fogo de que tanto fala a ciência

moderna, e de que tão pouco sabe realmente.

I, 1, 7.     O Pai.

A Raiz da Matéria.

Os Elementos com seus respectivos Poderes ou Inteligências.

O calor intenso separa os elementos compostos e resolve os corpos

celestes em seu Elemento Primordial, segundo explica o Comentário.

"Desde o momento em que um corpo, morto ou vivo,

se decompõe em seus elementos primitivos, ao entrar no

campo de atração ou de ação de um fogo ou centro de calor

(energia) — e vários centros se acham disseminados aqui e ali

no espaço — fica esse corpo reduzido a vapor, permanecendo

no Seio da Mãe, até que Fohat, reunindo algumas partículas da

Matéria Cósmica (nebulosas), o impulsione e ponha de novo

em movimento, desenvolvendo o calor necessário e deixando-o

então prosseguir em sua nova forma de atividade."

A expansão e a contração da "Tela" — ou seja, do material ou dos átomos

de que é feito o mundo — exprimem aqui o movimento de pulsação; porque é a

contração e a expansão regular do Oceano infinito e sem praias daquilo que

podemos chamar o númeno da Matéria, emanado de Svabhâvat, que constituem a

causa da vibração universal dos átomos.

Mas isso também sugere algo mais.

Prova

que os antigos conheciam o que em nossos dias intriga tantos homens de ciência e

em especial os astrônomos: a causa da primeira ignição da matéria ou do material

de que é construído o mundo, o paradoxo do calor produzido pela contração

refrigerante, e outros enigmas cósmicos.

Demonstra de modo inequívoco que os

antigos tinham conhecimento desses fenômenos.

"Em todo átomo existe calor

interno e calor externo, o Alento do Pai (Espírito) e o Alento (Calor) da Mãe

(Matéria)" — rezam os Comentários manuscritos aos quais teve acesso a autora; e

estes documentos contêm explicações que mostram ser errônea a teoria moderna

da extinção dos fogos solares em conseqüência de perda de calor pela radiação.

A

hipótese é falsa, e até mesmo homens de ciência já o admitem; pois, conforme

declara o Professor Newcomb246, "ao perder calor um corpo gasoso se contrai, e o

calor produzido pela contração ultrapassa o que ele perde ao contrair-se". Este

paradoxo, de que um corpo se torna mais quente quanto maior é a diminuição de

volumes ocasionada pelo esfriamento, tem sido causa de inúmeras polêmicas.

O

excesso de calor se perde com a radiação — pretendeu-se; e supor que a

temperatura não desce pari passu com a diminuição de volume, sob uma pressão

constante, é não ter em nenhuma conta a lei de Charles247. É verdade que a

contração desenvolve calor; mas a contração (por esfriamento) não é capaz de

produzir a totalidade de calor que em qualquer momento exista na massa, nem de

manter um corpo a uma temperatura constante etc.

O Professor Winchell tenta

explicar o paradoxo — que na realidade só é aparente, como o demonstrou J.

Homer Lane248 ao sugerir que "existe alguma coisa além do calor". "Não será

porventura" — indaga — "uma simples repulsão entre as moléculas, que varie

segundo alguma lei de distância249?" Mas só poderá firmar-se o consenso quando

essa "alguma coisa além do calor" for chamada "Calor Sem Causa", o "Alento do

Fogo", a Força onicriadora, dirigida pela Inteligência Absoluta; e não é provável que

a Ciência Física o admita.

Seja como for, a leitura desta Estância mostra que, apesar da fraseologia

arcaica, o seu ensinamento é mais científico que o da própria ciência moderna.

Popular Astronomy, págs.

507, 508.     WinchelI, Nebular Theory.

American Journal of Science, julho de 1870.     Winchell, World Life, págs.

83-5.

12. Então Svabhâvat envia Fohat para endurecer os Átomos.

Cada

qual250 é uma parte da Tela251. Refletindo o "Senhor Existente por Si Mesmo252"

como um Espelho, cada um vem a ser, por sua vez, um Mundo253.

Fohat endurece os Átomos; isto é: comunicando-lhes energia, separa os

"Átomos" ou a Matéria Primordial.

"Ele se dispersa, ao dispersar a matéria em forma

de Átomos", diz o Comentário.

É por meio de Fohat que as idéias da Mente Universal são impressas na

Matéria.

Pode-se ter uma noção ligeira da natureza de Fohat pela denominação de

"Eletricidade Cósmica", que algumas vezes lhe é dada; mas neste caso, às

propriedades conhecidas da Eletricidade em geral, devem acrescentar-se, outras,

inclusive a inteligência.

E é interessante observar que a ciência moderna vem de

reconhecer, finalmente, que toda atividade cerebral é acompanhada de fenômenos

elétricos.